sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Resumo: Análise histórica e filosófica de deus enquanto construto social e de manutenção do poder por classes politicamente influentes. O erro lógico do mito divino e sua tentativa vã de tangir o conhecimento genuíno pela instituição de seus axiomas.
.
A construção de deus
.
A preferência pelo conhecimento e pelo genuíno, invariavelmente, leva a negação do místico. O próprio Comte, quando instituiu as etapas que caracterizam a evolução social, instituiu a negação do feitichismo como passo primevo para a passagem de uma sociedade religiosa à sociedade Positiva. O Pierce, teórico Pragmático, afirmou que o método da autoridade como alcançe do conhecimento verdadeiro é inválido frente ao método científico. Crê-se em deus porque, para uma mentalidade religiosa, é o mesmo a autoridade superior e, por consequência, infalível.
.
A existência de deus se torna um axioma ou pressuposto inferido (a priori) que acaba erroneamente validando sua própria existência. Tal qual uma criança que crê em seus pais, posto que são suas autoridades imediatas e, segundo tal lógica, absolutamente infalíveis. A superioridade do método científico consiste na validação do conhecimento pela empíria, a análise quantitativa dos fatos da natureza mediada pela razão, parcimônia e coerência. Se não há evidências da existência efetiva de um deus ou possibilidade de analisá-lo empiricamente reproduzindo-o experimentalmente, conclui-se sua inexistência categórica.
.
Data vênia, analisando deus sob o viés filosófico, conclui-se que é o mesmo nada mais que o resultado da precária necessidade humana de perpetuar-se num suposto pós-morte, ignorando ou adiando as possibilidades a que a vida oferece no presente concreto, realidade única efetiva. Por isso, dentre outros vários possíveis argumentos, é Deus a exacerbação do Inexistente e de anseios privados, originariamente concebidos como impulso pela sobrevivência. O exagero da sobrevida e o querer do perpétuo respirar consolida-se na elaboração de uma entidade que supra as necessidades básica que, se analisadas acuidosamente, se revelam prioridades materiais, deprovidas da intangibilidade que caracteriza o cunho metafísico. Portanto, são tais necessidades individuais ou de classe puramente materiais.
.
Outra perspectiva relevante na análise das classes, é a religião enquanto manutenção do poder instituido pelo grupo minoritário, que se sobrepõe aos demais grupos majoritários quando instaura a dominação ideológica pelo viés místico, impondo a compreensão de suas decisões políticas e validando a retenção dos meios de produção e do produto excedente como originariamente inquestionáveis, posto que divinas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Resumo: A necessariedade de princípios legais que ordenem a garantia de proteção aos bens intelectuais produzidos, embasados no princípio do dever positivo de estabilidade , ordenamento e harmonia do organismo social como método de obtenção do progresso humano.

Direitos autorais, Comte e a DUDH


A presente alegação de uma suposta "não necessidade dos direitos autorais" como substituta ao método comprobatório de direitos constitucionais é falaciosa. A própria concepção de sociedade enquanto organismo solidário encontra-se explicitada na teoria Positiva de Comte: A não procedência de uma possível ausência de direitos autorais dá-se quando se apercebe que todo aglomerado humano ou conjunto social prima por preceitos jurídicos comunais, garantindo assim sua existência enquanto grupo harmônico. A relevância da proteção intelectual e bens multimídia alinha-se à prioridade humana, visto que, segundo Castells (1996, p. 92), a habilidade produtiva que distingue os homens das demais espécies é "nossa capacidade de processar símbolos". Tal qual um bem de consumo, também comercializável são as propriedades intelectuais (posto que são símbolos), pois que são do domínio particular ou propriedade privada. Mais do que um direito, é dever público e privado a garantia de proteção aos bens intelectuais produzidos por si ou por outrem.

Ademais, o artigo XVIII da Declaração Universal dos Direitos Humanos não deve ser inviolado intuitando a prática da apropriação ilegal de bens produzidos (sejam tais bens concreto/material ou abstrato/cultural). O artigo XVIII alega direito "[...]à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras". Para quem se vale do artigo XVIII para usufruir do bem intelectual alheio (o que configura como infração penal ou prática de 'Pirataria'), deve-se observar que o referido artigo XVIII alinha-se com outro relevante princípio da DUDH de universalidade, exposto no artigo XVII, onde "1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros". e "2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade".

A relativa impossibilidade de controle dos bens transmitidos via meio digital (seja FTP, Web, mail etc.) pelo poder estatal devido a questões estruturais e/ou administrativas não invalida a prática de cumprimento das leis de copyright (e as demais leis de proteção à propriedade) ou mesmo o dever social do auto-monitoramento que objetive o cumprimento dessas leis, a fim de manter o ordenamento por via legal e, quiçá, a obtenção do progresso calcado neste ordenamento.

sábado, 12 de setembro de 2009

Resumo: ressalva da ruptura da forma mentalista ou dualista, que caracterizara a forma de pensar humana por séculos de desenvolvimento filosófico. Ressalta-se a contribuição da perspectiva analítica comportamental no desligamento da prática usual onde atribui-se causalidade não a fenômenos descritivos, mas a eventos privados e inacessíveis pelo experimentador.
.
A falácia do dualismo
.
A incoerência do pensamento dualista, caracterizado inicialmente enquanto de natureza platônica, foi posto em questionamento pelas mais diversas vertentes do saber, desde a ruptura moral explicitada na filosofia moderna de Nietzsche até o âmbito das ciências contemporâneas. A ruptura do pensamento dito mentalista ou dito “psicologista”, é caracterizado como atribuidor de causalidade comportamental a sentimentos ou estados emocionais imensuráveis, quando evidências empíricas apontam para contingências de reforçamento ou extinção, sendo tais eventos contextuais que atuam em contiguidade a influências originalmente genéticas, determinando o repertório comportamental.
.
Ademais, a unicidade do sujeito enquanto constituinte no mundo dá-se pela compreensão filogênica e ontogênica; realizar tal inferência é como a afirmativa de particularidade, exclusividade e responsabilidade individual, no instante em que se compreende que tanto a cadeia genética quanto os eventos sociais antecedentes ao indivíduo são, necessariamente, irrepetíveis entre espécimes.
.
Para B. F. Skinner, a inadequação das várias vertentes de atuação da Psicologia (visto que tal caracteriza-se enquanto ciência pré-paradigmática) de cunho mentalista ou obscurantista apenas evidencia a problemática de relegar causalidade a eventos intermediários, não raros fugidios à instrumentalização de uma atuação analítica. A tríade evento físico – evento privado – evento físico, mais do que um esquema didático, representa a possibilidade de atuação real e radical terapêutica, onde o analista, ao observar contingências (se..., então), avança em atribuir relações funcionais a um indivíduo não passivo ou tão-somente respondente, mas que opera sobre o meio, reelaborando contextos sociais que por sua vez, os determina. Logo, fácil torna-se concluir que a dotação de individuo passivo a pulsões imensuráveis não compreende a amplitude da perspectiva analítica experimental comportamental.
.
- Silier Borges

sábado, 5 de setembro de 2009

Resumo: análise em prosa poética de questionamentos existencialistas, como a libertação do devir mundano, a necessidade da reflexão intrínseca e da reavaliação crítica na conduta interpessoal.
.
Diálogos oportunos
.
A mudança comportamental, acertadamente, engloba uma mudança radical de valores intrínsecos, motivações nunca antes questionadas, nas mais variadas nuances. A vertente de pensamento místico ou espiritista, duma forma ou de outra, transduz e compartilha com a idéia de aprimoramento moral, no instante em que alinha-se positivamente ao conceito de mudança e transformação particular. Sendo assim, fácil é imaginar que uma adaptação particular, sob esse ponto de vista, é também o passo inicial para uma adaptação coletiva à novos valores e novas concepções de conduta.
.
Embora pessoalmente não compartilhe de muitos destes ideais, ressalto a relevância dessa vertente filosófica no mundo contemporâneo, e sua inquebrantável busca democrática. Uma das melhores pessoas que conheci, abertas à novas concepções (pré-requisito necessário para todo aquele que se proponha ao pensamento crítico), trata-se de uma escritora, que a pouco redigiu-me a seguinte prosa, como quem humildemente escreve os seguintes conselhos: "Para mudar a realidade, deve-se olhar de uma maneira diferente para dentro e refletir o quanto estamos adormecidos, sempre reclamando das mesmas coisas. Por que somos muitas vezes solitários e infelizes? Com toda certeza, o amor deve predominar, libertando-nos das grades que o tempo consome. Perguntar a nós mesmos 'de onde viemos, para onde vamos...?' 'Qual o objetivo da minha existência...?'
.
Esquecer um pouco de nos abalarmos com coisas de grande parte, desnecessárias para a felicidade contínua, não se apegar a alegria de momentos, comprar sapato bom, roupas caras enquanto muitos estão sofrendo tanto sem ter nada pra comer. E vejo isso e sinto uma dor tão grande no coração... A ordem mundial é consumir desenfreadamente destruindo a natureza; Enquanto uns tem muito, outros não tem nada.
.
Acertar na dosagem do remédio que se chama consciência para curar um mundo doente, mesmo que não de certo, o valor disso tudo é a certeza que tentamos fazer algo superior. Ato de bondade e esperança, isso sim é justiça! Observo-me, sempre pergunto a mim mesma, o que vou ser futuramente? Mas a vida se vive aqui e agora, e o que tiver de ser será: Deus ajuda.
Estamos iludidos, fechando os olhos para a realidade, se o mundo está assim,é porque nos o fizemos de tal modo egoísta; Os exemplos ruins de sempre, novelas a ensinar traição, morte, brigas. Cada dia ficamos mais hipócritas. O correto não é dizer que fazemos o bem, sempre viver de teoria, devemos fazê-lo de verdade, praticar diariamente usando indubitavelmente da gentileza. Sei bem que é difícil, mas não impossivel.
.
O amor se manifesta de várias formas, seja ela num sorriso ou numa boa ação. Amemos sem questionar, posto que é divino e ascendente".
.
Ps. a autoria do texto citado em aspas, é da minha amiga Nay Carvalho.