Resumo: Análise histórica e filosófica de deus enquanto construto social e de manutenção do poder por classes politicamente influentes. O erro lógico do mito divino e sua tentativa vã de tangir o conhecimento genuíno pela instituição de seus axiomas.
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A construção de deus
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A preferência pelo conhecimento e pelo genuíno, invariavelmente, leva a negação do místico. O próprio Comte, quando instituiu as etapas que caracterizam a evolução social, instituiu a negação do feitichismo como passo primevo para a passagem de uma sociedade religiosa à sociedade Positiva. O Pierce, teórico Pragmático, afirmou que o método da autoridade como alcançe do conhecimento verdadeiro é inválido frente ao método científico. Crê-se em deus porque, para uma mentalidade religiosa, é o mesmo a autoridade superior e, por consequência, infalível.
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A existência de deus se torna um axioma ou pressuposto inferido (a priori) que acaba erroneamente validando sua própria existência. Tal qual uma criança que crê em seus pais, posto que são suas autoridades imediatas e, segundo tal lógica, absolutamente infalíveis. A superioridade do método científico consiste na validação do conhecimento pela empíria, a análise quantitativa dos fatos da natureza mediada pela razão, parcimônia e coerência. Se não há evidências da existência efetiva de um deus ou possibilidade de analisá-lo empiricamente reproduzindo-o experimentalmente, conclui-se sua inexistência categórica.
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Data vênia, analisando deus sob o viés filosófico, conclui-se que é o mesmo nada mais que o resultado da precária necessidade humana de perpetuar-se num suposto pós-morte, ignorando ou adiando as possibilidades a que a vida oferece no presente concreto, realidade única efetiva. Por isso, dentre outros vários possíveis argumentos, é Deus a exacerbação do Inexistente e de anseios privados, originariamente concebidos como impulso pela sobrevivência. O exagero da sobrevida e o querer do perpétuo respirar consolida-se na elaboração de uma entidade que supra as necessidades básica que, se analisadas acuidosamente, se revelam prioridades materiais, deprovidas da intangibilidade que caracteriza o cunho metafísico. Portanto, são tais necessidades individuais ou de classe puramente materiais.
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Outra perspectiva relevante na análise das classes, é a religião enquanto manutenção do poder instituido pelo grupo minoritário, que se sobrepõe aos demais grupos majoritários quando instaura a dominação ideológica pelo viés místico, impondo a compreensão de suas decisões políticas e validando a retenção dos meios de produção e do produto excedente como originariamente inquestionáveis, posto que divinas.