quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Resumo: Dissertação voltada para o questionar da freneticidade da pós-modernidade sobre a rotina humana, aqui tida como grilhões opressores do indivíduo, em suas vontades individuais. Citação de Nietzsche.

Grilhões da Modernidade

Em um mundo inconstante, poucos são os indivíduos que buscam duas marcantes características que favorecem o surgimento da felicidade: uma agradável relação social e o cumprimento da vontade individual.

A sociedade da era informacional da qual nos encontramos, vive em uma constante ânsia gerada pelo cotidiano, o que resulta na perda de um saudável convívio social, estabelecendo frágeis relações interpessoais. Dificilmente há um prolongado contato físico, mas somente diálogos instantâneos através da rede mundial de computadores. Mesmo no mundo real, as pessoas evitam demoradas conversas: prefere-se o modismo da velocidade, que impõem os eternos grilhões do compromisso de uma agenda perpetuamente lotada. Se não há tempo para uma rotina estável que favoreça o contato com o outro, não poderá haver uma vida plena e desejosa. Por conseqüência, a felicidade torna-se um mero nome a habitar livros e dicionários.

Como resultado de um decadente relacionamento social, surge a inadiável força do querer, o cumprimento imediato da vontade, tal como defendera Nietzsche. Quando impera o tédio, provocado pela rotina, surgem os mais profundos anseios humanos que, por força do hábito, são reprimidos pelo indivíduo. Fomentam-se assim comportamentos como a submissão e o conformismo, primeiros passos para o surgimento de patologias psíquicas.

Deve-se perceber, sobretudo, que só haverá bem-estar com o coletivo e o individual, quando consolidado os harmoniosos estágios de relacionamento, e quando o individuo busque cumprir a sua vontade, desde que esta não entre em conflito com os valores éticos e legais de sua comunidade. Haverá, então, o primeiro dos muitos encontros com a estimada felicidade.

- Silier Borges