sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Resumo: Valendo-se de um ponto de vista imparcial, o autor disserta sobre as influências de partidários e das empresas privadas sobre os festivais baianos de caráter popular. Conclui com um termo sociológico que configura o fato como "globalitarismo".


Bahia: Carnaval, Consumismo e Apartheid


É invariavelmente impactuoso a interferência do Estado e da iniciativa privada nas culturas populares. Salvador, recentemente, possui inúmeras festas e festivais de massa, que há muito representavam, de maneira genuína, a manifestação do sincretismo e da cultura exclusivamente popular.


Entretanto, o que se tem visto são as intensas imposições governistas e partidárias, ou quando não, a irrefutável presença de empresas privadas, descaracterizando tais festas com seus slogans e marcas de consumo. Exemplificando, na festa do Senhor do Bonfim, tradicional festejo de louvor ao santo e orixá, os mitos e as práticas tradicionais se extinguiram. As carroças enfeitadas ainda se mantém presentes, mas agora como espécie de palanque improvisado para políticos de menor visibilidade.


Os antigos desfiles das ‘baianas’ no festival citado, são precedidos de desfiles partidários, onde desordenadamente transpassam os “passistas” dos mais variados membros da oposição e suas respectivas bandeiras. Não antes do inicio da incompreensível cena, onde o governador, prefeito, ex-prefeitos, e deputados desfilam em meio a fogos e cervejas, isolados de sua população por forte cordão da Polícia Militar. Cordão esse que define um apartheid modernizado, onde somente turistas convidados são autorizados a participar. Enfim, mais uma cultura do povo extraviada para meandros de interesses de particulares, políticos, e empresas, todos vorazes por maior visibilidade e prestígio social.


E este é apenas um dos infindáveis exemplos de festas populares descaracterizadas por interesses puramente econômicos. O mais significativo dos exemplos no Estado da Bahia, creio eu, que seja o carnaval de Salvador, que há muito desaparecera as tradicionais “marchinhas” embaladas por crianças, pescadores e populares.


Substituída, claro, pela ânsia de consumo e imagem que domina o cenário mundial, tendo os países financeiramente desenvolvidos como vanguarda na imposição cultural a qual impõe às nações dependentes. Instala-se, portanto, sobre as amarras do globalitarismo, a apropriação da cultura pelo capital.


- Silier Borges