Resumo: Crítica direta à recente declaração do professor Dantas, declaração esta de conteúdo exacerbadamente discriminatório para com o Estado da Bahia. Resgate panorâmico histórico e geográfico da localidade, refutando argumentos que visem desqualificar a região que apresenta historicamente maior contribuição cultural e intelectual ao país.
Porque toda discriminação à Bahia é incabível.
A priori, deve-se deixar claro que este artigo nada tem de ufanista. Ainda que seu teor seja parcial - tal como ocorre com quaisquer dos inúmeros artigos publicados diariamente - vise, através de uma abordagem valorativa de uma realidade regional, rechaçar depoimentos dos que, por motivos diversos, pretendam descaracterizar as conquistas obtidas, ou mesmo ignorar as várias influências e contribuições multiculturais do Estado baiano para com o restante do país.
Recente declaração do chefe do colegiado da Faculdade de Medicina da UFBA, Antônio Dantas, causou, ainda que momentânea, relativa comoção midiática (e com razão). Afirmou o mesmo, nas várias e infelizes declarações realizadas, que o baixo desempenho dos estudantes federais no Enade refere-se ao "baixo QI que é inato aos baianos". Passou impercebido ser o mesmo também um baiano, e seguindo sequencialmente as contradições do discurso excessivamente discriminatório, afirmou também inferioridade da musicalidade baiana perante ritmos que lhe são exógenos.
Instantes como este torna necessário um reavaliar das conquistas inerentes ao Estado em questão. Bahia é o estado que carrega o título de sede da primeira capital da nação. Abrigando rica biodiversidade, teu território corresponde a 33,3% de todo Nordeste, sendo o litoral um dos mais graciosos e estimados das Américas. Guardiã de intrincada diversidade cultural, foram muitas as revoltas que caracterizaram a localidade na sua busca por emancipação, igualdade e particibilidade, em tempos de nação retrógrada. Palco de colonizações e opressões onde discursos pseudo-científicos de superioridade racial eram proferidos sob guarda da sacralidade cristã, foram muitas as discordâncias, em meio a um cenário de conflitos e invasões portuguesas e holandesas que, em sua vária miscigenação, contribuiu para o configurar de uma Bahia histórica em superações das mazelas e desmandos do coronelismo. Resquícios estes que, em meio a uma sociedade utilitarista de valorização do estrangeiro, resgatam o trágico passado das elites latifundiárias vindas das nações nórdicas exploratórias das riquezas da antiga e da recente Pindorama.
Dentre este oscilar de histórias, Canudos e Revolta dos Malês representam o ápice da vontade de uma população negra e oprimida no almejar de equidade social. A contribuição histórica da Bahia para com a nação se dá nos mais variados níveis de acontecimentos que o compuseram, como literatura: Resgatemos pois os célebres Castro Alves e sua genialidade aplicada às lutas abolicionistas; Adonias Filho e Jorge Amado, dois literatos baianos membros da Academia Brasileira de Letras, sempre a resgatar a mística cultural popular da aclamada Salvador da Bahia, não tão diferentemente do João Ubaldo Ribeiro (em verdade, um quase-baiano); a romanceada poesia do Vinicus; o Caetano e suas elaboradas composições; dentre centenas de outros que nem mesmo no maior dos artigos caberia citar. Todos, inegavelmente, contribuintes máximos da literatura nacional, já apresentados ao mundo, bom saber.
Resgatando criticamente o conteúdo bíblico, Babel fracassou não quando houveram discórdias linguísticas, mas sim quando os construtores distanciaram-se em altura de tal forma de teu aliçerce, que a construção por inteiro ruíra. Princípio básico é o de que não há construção sem o que lhe fundamente. Tal fenômeno ocorrera com o professor Dantas e muitos outros dos quais exercem cargos elavados, distanciando-se da imediata realidade que os rodeia, ignorando fatos que de tão gritantes sobressaem-se em relevância. Não fôra a mídia ou a classe estudantil que não perdoou tamanha declaração, mas a consciência crítica socialmente engajada que - gráças! - ainda habita nossa boa terra.
- Silier Borges
Porque toda discriminação à Bahia é incabível.
A priori, deve-se deixar claro que este artigo nada tem de ufanista. Ainda que seu teor seja parcial - tal como ocorre com quaisquer dos inúmeros artigos publicados diariamente - vise, através de uma abordagem valorativa de uma realidade regional, rechaçar depoimentos dos que, por motivos diversos, pretendam descaracterizar as conquistas obtidas, ou mesmo ignorar as várias influências e contribuições multiculturais do Estado baiano para com o restante do país.
Recente declaração do chefe do colegiado da Faculdade de Medicina da UFBA, Antônio Dantas, causou, ainda que momentânea, relativa comoção midiática (e com razão). Afirmou o mesmo, nas várias e infelizes declarações realizadas, que o baixo desempenho dos estudantes federais no Enade refere-se ao "baixo QI que é inato aos baianos". Passou impercebido ser o mesmo também um baiano, e seguindo sequencialmente as contradições do discurso excessivamente discriminatório, afirmou também inferioridade da musicalidade baiana perante ritmos que lhe são exógenos.
Instantes como este torna necessário um reavaliar das conquistas inerentes ao Estado em questão. Bahia é o estado que carrega o título de sede da primeira capital da nação. Abrigando rica biodiversidade, teu território corresponde a 33,3% de todo Nordeste, sendo o litoral um dos mais graciosos e estimados das Américas. Guardiã de intrincada diversidade cultural, foram muitas as revoltas que caracterizaram a localidade na sua busca por emancipação, igualdade e particibilidade, em tempos de nação retrógrada. Palco de colonizações e opressões onde discursos pseudo-científicos de superioridade racial eram proferidos sob guarda da sacralidade cristã, foram muitas as discordâncias, em meio a um cenário de conflitos e invasões portuguesas e holandesas que, em sua vária miscigenação, contribuiu para o configurar de uma Bahia histórica em superações das mazelas e desmandos do coronelismo. Resquícios estes que, em meio a uma sociedade utilitarista de valorização do estrangeiro, resgatam o trágico passado das elites latifundiárias vindas das nações nórdicas exploratórias das riquezas da antiga e da recente Pindorama.
Dentre este oscilar de histórias, Canudos e Revolta dos Malês representam o ápice da vontade de uma população negra e oprimida no almejar de equidade social. A contribuição histórica da Bahia para com a nação se dá nos mais variados níveis de acontecimentos que o compuseram, como literatura: Resgatemos pois os célebres Castro Alves e sua genialidade aplicada às lutas abolicionistas; Adonias Filho e Jorge Amado, dois literatos baianos membros da Academia Brasileira de Letras, sempre a resgatar a mística cultural popular da aclamada Salvador da Bahia, não tão diferentemente do João Ubaldo Ribeiro (em verdade, um quase-baiano); a romanceada poesia do Vinicus; o Caetano e suas elaboradas composições; dentre centenas de outros que nem mesmo no maior dos artigos caberia citar. Todos, inegavelmente, contribuintes máximos da literatura nacional, já apresentados ao mundo, bom saber.
Resgatando criticamente o conteúdo bíblico, Babel fracassou não quando houveram discórdias linguísticas, mas sim quando os construtores distanciaram-se em altura de tal forma de teu aliçerce, que a construção por inteiro ruíra. Princípio básico é o de que não há construção sem o que lhe fundamente. Tal fenômeno ocorrera com o professor Dantas e muitos outros dos quais exercem cargos elavados, distanciando-se da imediata realidade que os rodeia, ignorando fatos que de tão gritantes sobressaem-se em relevância. Não fôra a mídia ou a classe estudantil que não perdoou tamanha declaração, mas a consciência crítica socialmente engajada que - gráças! - ainda habita nossa boa terra.
- Silier Borges