Resumo: Pequeno artigo de opinião, que ressalta o caráter teórico-ideal da política e a grande incompreensão do termo, quando se tratando de governos e governistas. Relaciona os aspectos universais da "politicagem" e da mudança súbita de interesses nos discursos políticos estadunidenses.
Política, EUA... politicagem?
A política, não raras vezes definida por termos de caráter pejorativo tal como ‘politicagem’, costuma freqüentemente ser direcionada aos interesses sórdidos do capital e do poder pura e simplesmente. Esquece-se com freqüência que a política é a ferramenta da qual, quando utilizada coerentemente, deva propiciar a equidade social de sua população, e é justamente com a mesma que se compõe o que entendemos por Estado.
A valorização dos recursos humanos como mera mercadoria de trabalho é somente uma das variadas vertentes a que se configura a política, quando mal aplicada. Quando aliada às doutrinas de consumo, produtividade e individualidade, induz-nos a ignorar sua função primordial, quiçá vital. Tem-se o crescimento econômico, mas não se tem desenvolvimento econômico, que é a redistribuição igualitária dos bens produzidos. Adequando tais conceitos a questões, digamos, mais concretas, temos como objeto-de-estudo as eleições do país mais destacável no cenário mundial em termos econômicos (e a recessão que o diga), o EUA.
No site pessoal do democrata Barack Obama, estimado ao cargo de primeiro presidente negro dos Estados Unidos, vemos o desfilar de propostas incongruentes, e isso quando elas existem. O discurso recente de Obama, em mérito ao 40° aniversário de assassinato de Martin Luther King Jr., se apropria com facilidade da causa e da luta de outrem. Válido seria tamanha apropriação por alguém que, quando Senador, não tivesse se referido a questão factual do negro e seu processo de marginalização histórico tão levianamente: “Não existe uma América branca, nem negra. Existe o Estados Unidos da América”. Ao que parece, o candidato em questão nunca ouvira falar - antes de sua recente candidatura - sobre diáspora, Ku Klux kan, e outras manifestações de racismo contra o negro que também caracterizara o EUA.
Não pretendo somente criticar o candidato a em detrimento do b. O próprio esposo de Hillary, quando assumira a presidência, afirmara iniciar um debate “sem precedentes” sobre a questão racial. O que de fato ocorre é que o EUA continua sendo considerado, consensualmente, o país mais racista da esfera terrestre, mesmo depois do seu polêmico mandato. Caso de politicagem? Favorecimento de discursos em prol de ganhos pessoais? Não seria muito diferente do discurso, digamos, “convenientemente mutacional” do ilustríssimo Obama, agora preocupado com as chamadas questões raciais.
Critiquemos, pois, tamanho status quo perpétuo e de caráter universalista (pois no Brasil e outros países, o fênomeno não é diferente), que é a apropriação de situações delicadas e de cunho racial por governistas visando sua fatia pessoal no corpulento bolo da grande presidência das nações.
- Silier Borges