sexta-feira, 9 de maio de 2008

Resumo: Questionamentos que retomam casos de homicidios da atualidade e questionam a atitude passiva, quando não exacerbadamente emocional, dos que acompanham tais ocorrências. Que fazer quando são os moralistas, os cometedores de infrações cada vez mais brutais ou amorais?

Quando moralidade vira sinônimo de passividade - (Parte 1)

Frente às adversidades das relações humanas na contemporaneidade, aviltantes das almas mais conservadoras e também das mais recentes, vê-se o desfilar de uma violência banalizada pelo processo que prima pela informação volatilizada, mas que ignora a eminente necessidade de humanização comunal.

Casos frutos da obscuridade das atrocidades humanas como Nardoni, Hélio, Ivo e uma centena de outros, são inequivocadamente comparáveis a outros casos que, concomitantemente, insistem a ocorrer no mundo. O sr. Fritzl e sua filha violentada pelo pai por vinte e quatro anos ininterruptos, recalcam uma onda de crimes hediondos considerados pecaminosos mesmo para um indivíduo pouco espirituoso. E mais ainda: Representam a horrenda universalidade do atroz. Tornara-se inato ao homem, o dito desumano?

Ainda que tratado com excessivo esmero pelos que acompanharam os noticiários, é fato que muita dessa atenção dispendiosa seja fruto de um sadismo elaborado pela indústria do entretenimento, ao primar pela soberania dos interesses mútuos: índices de audiência para a enlutada indústria midiática, prazer e diversão para a sua população entediada por tudo aquilo que lhe é rotineiro. Tudo, evidentemente, baseado no macular do sofrimento alheio em pleno horário nobre. Abram-se as cortinas, liguem os canais, já iniciara o show daquilo que é brutal, mas que aos poucos relaxam e gradualmente se intensificam em permissividades...

São nestes instantes que questiono o poder de efetividade da moral religiosa em reprimir o avançar das tempestuosas ondas de violência que assolam as várias sociedades do planeta. Questionamento este dotado de precípua relevância, no instante em que nos remete ao fato que, mesmo no âmago de umas ou outras instituições religiosas, tais atos hedonistas persistem a eclodir como um mal ainda não completamente extirpado. Pelo contrário, ao que se verifica, tem-se acrescido e se tornado cada vez mais evidentes nas últimas décadas. Obviamente que todos estão suscetíveis a erros; mas quando o erro torna-se banal por entre os que estimam o ideal de perfeccionismo ético, a situação realmente se revela no mais profundo Devir.

- Silier Borges