Resumo: O artigo que se segue, remete-nos a questionamentos referentes ao moral e amoral, a relação da ética e jurídica, sem portanto assumir a imprudência das buscas por respostas cartesianas, objetivas. Atribui à sociedade moderna, destacavelmente, não a crise de valores, mas reavaliação de impregnados valores ulteriores.
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Os limites do moral
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Compreende-se, ao menos alguns, a moral como convenções histórico-temporais e, portanto mutáveis, que norteiam o comportamento social e cultural humano. Diversas morais coabitam em tempo e espaço, porém são compartilhadas por dado grupo significativo e identificável.
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A ética, ao assumir definição destacavelmente simplificada, pode ser entendida como o aspecto jurídico, normativo e sistêmico da concepção de moral. Na contemporânea sociedade, bem se sabe acerca de valores não exatamente deturpados (pois afirmar tal seria, no mínimo, imprudente com fatos do porvir), mas em evidente mutação. A crise das instituições secundárias, e no mesmo bojo se ressalta a Religião, corrobora com consequências graves no fenômeno da ruptura de referência de indivíduos sociais com coletivo que o permeia.
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Avaliemos, pois, a assombrosa guinada de infanticídios em sociedades que a condenam (moral e eticamente) como abominável crime, ato de repúdio à vida e portanto à existência. Os números aumentam e alavancam numa crescente. Qual tese, portanto, explica grosseiro fenômeno, a nos agredir, retirando-nos de alienados devaneios outros? Mortes sempre houveram. Afirmar que a crise de valores religiosos é responsável, é deveras imprudente: Casos de homicídios são inefavelmente significativos em sociedades altamente religiosas. Neste ponto consiste grande paradoxo.
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É importante salientar que, como já fora dito, são os valores que norteiam sociedades, incorporadas e retransmitidas por religiões tais, que resultam na padronização coletiva de comportamento. Se estas normativas se alteram e as instituições correlacionadas não as acompanham, tem-se como consequência suas crises. Em sociedades altamente globalizadas, estabelece-se uma selva darwinista: Os mais aptos a atender as demandas do capitalismo, são os notórios sobreviventes. De tal forma, as influências culturais correspondentes tenderão a preceitos de caráter individualista. E é que ocorre com países europeus e norte-americanos, destacados pelo desenvolvimento econômico aliçercado na exploração ideológica e geográfica das nações do lado sul do globo.
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Para o filósofo Nietzsche, aos homens futuros aguarda-se o Super-homem (Übermensch), o superador dos valores morais tradicionais e elaborador de sua própria moral, aquele determinador e determinante de seus próprios interesses e, enfim, hábil elaborador de um comportamento genuíno, intrínseco e indiferente à genealogia de valores ulteriores.
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Se observar acuidosamente, o objetivo do presente texto não é o trazer respostas, tampouco o de afastá-las: É o de, a passos curtos, aproximar de possíveis (e plausíveis) novos questionamentos. Uma atividade essencialmente paradoxal na labuta da busca por respostas. Se Nietzsche estivera certo, só o futuro (quiçá, o presente) que nos dirá dos limites da moral.
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- Silier Borges