Resumo: Questionamentos pertinentes, relativos ao que compreende-se comumente como baianidade, em paralelo à falaciosa perspectiva de alegorias grotescas do mercantilismo, voraz fenômeno materializador de uma cultura sacra e simbólica.
Baianidade e Identidade Cultural
Em verdade que antropólogos, sociólogos e jornalistas evidentemente críticos, e engajados na ética profissional a que lhes cabe, não raro levantam infundadas críticas acerca do conceito compreendido com baianidade. Uma série de outros equívocos levantados por uma mídia impressa radicalizada, baseada essencialmente em preceitos errôneos, no instante em que aborda relevante temática sob uma perspectiva parcialmente falaciosa. Digo parcialmente, pois tal como sofistas, os midíaticos apresentam uma ou duas verdades para concluir o que nos é, evidentemente, infundado.
Das canções praieiras do Dorival, malemolência de sambistas locais (Batatinha, a exemplo destacável), até a saudosista Bahia amadiana certamente não passam de confabulações particulares que, apesar de abordar uma Salvador relativamente romanceada de início do século que nos antecede, funcionaram como mecanismos cruciais na reformulação do conceito de identidade cultural, a dita baianidade, apresentando-a não intencionalmente aos encantos dos investimentos e cifras do âmbito turístico. Evidentemente que abordada, com significativa frequência, no meio político-burocrático como intentos não-raro partidários, o próprio conceito de baianidade antecede a quaisquer vontades eleitoreiras ou, como mais recentemente, intenções de promoção do capital privado das várias empresas hoteleiras no recôncavo e afins.
O que nos é baianidade, na mais recente contemporaneidade, nada mais é que a apropriação da variedade particular de elementos regionalistas identitários baianos por poderios econômicos, fenômeno ápice globalizatório; porém, elaborada (num infindo moto-contínuo) por classes populares que dela usufruiram como instrumento de valoração da estima baiana, marginalizada pelo estigma da malandragem, da preguiça ou da suposta 'onipresente lascividade'. Neste ponto, é comum o mesclar de identidade cultural baiana com o próprio termo, de significativa heterogeneidade: Baianidade.
Enfim, a identidade cultural meramente simbólica, tal como a formulada tão-só para o agrado de estrangeiras vistas, não representa de fato o que, originariamente, conceitua-se baianidade. Se bem observarmos, tal seria a Baianidade da Bahiatursa, indireta contribuidora para o turismo sexual por meio de sua questionável publicidade, prostituindo elementos sacros de significativa representação à população baiana (tal como já discutido em artigos anteriores). Esta é a baianidade da Condolezza e dos anônimos arianos que desenbocam em portos, vorazes por miudezas alegóricas e mulatas de destacável beleza. O que bem se ressalta como baianidade supera a tais empecilhos, além das aparências materiais e do mercantilismo vigorado. É também a sua gente; que, certamente, não falecera com o Dorival.
- Silier Borges
Baianidade e Identidade Cultural
Em verdade que antropólogos, sociólogos e jornalistas evidentemente críticos, e engajados na ética profissional a que lhes cabe, não raro levantam infundadas críticas acerca do conceito compreendido com baianidade. Uma série de outros equívocos levantados por uma mídia impressa radicalizada, baseada essencialmente em preceitos errôneos, no instante em que aborda relevante temática sob uma perspectiva parcialmente falaciosa. Digo parcialmente, pois tal como sofistas, os midíaticos apresentam uma ou duas verdades para concluir o que nos é, evidentemente, infundado.
Das canções praieiras do Dorival, malemolência de sambistas locais (Batatinha, a exemplo destacável), até a saudosista Bahia amadiana certamente não passam de confabulações particulares que, apesar de abordar uma Salvador relativamente romanceada de início do século que nos antecede, funcionaram como mecanismos cruciais na reformulação do conceito de identidade cultural, a dita baianidade, apresentando-a não intencionalmente aos encantos dos investimentos e cifras do âmbito turístico. Evidentemente que abordada, com significativa frequência, no meio político-burocrático como intentos não-raro partidários, o próprio conceito de baianidade antecede a quaisquer vontades eleitoreiras ou, como mais recentemente, intenções de promoção do capital privado das várias empresas hoteleiras no recôncavo e afins.
O que nos é baianidade, na mais recente contemporaneidade, nada mais é que a apropriação da variedade particular de elementos regionalistas identitários baianos por poderios econômicos, fenômeno ápice globalizatório; porém, elaborada (num infindo moto-contínuo) por classes populares que dela usufruiram como instrumento de valoração da estima baiana, marginalizada pelo estigma da malandragem, da preguiça ou da suposta 'onipresente lascividade'. Neste ponto, é comum o mesclar de identidade cultural baiana com o próprio termo, de significativa heterogeneidade: Baianidade.
Enfim, a identidade cultural meramente simbólica, tal como a formulada tão-só para o agrado de estrangeiras vistas, não representa de fato o que, originariamente, conceitua-se baianidade. Se bem observarmos, tal seria a Baianidade da Bahiatursa, indireta contribuidora para o turismo sexual por meio de sua questionável publicidade, prostituindo elementos sacros de significativa representação à população baiana (tal como já discutido em artigos anteriores). Esta é a baianidade da Condolezza e dos anônimos arianos que desenbocam em portos, vorazes por miudezas alegóricas e mulatas de destacável beleza. O que bem se ressalta como baianidade supera a tais empecilhos, além das aparências materiais e do mercantilismo vigorado. É também a sua gente; que, certamente, não falecera com o Dorival.
- Silier Borges