Resumo: Crítica acuidosa acerca das motivações que permeiam projetos e festejos culturais, por vezes de intencionalidade das mais vergonhosas e obscuras.
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Festança Cultural
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Ainda que seja notório esforço o das comemorações em torno de grandes simbolos representativos da cultura nacional, em sua vastidão de divergentes manifestações regionais, é também significativo tanto a pequenez do âmbito em que alcançam, quanto as obscuras intencionalidades que por vezes permeiam tais festejos.
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Tem-se, no presente ano de 2008, o louvor de grandes figuras como do falecido sambista Cartola, mestre fundador da escola estação primeira de Mangueira, comemorando os cem de seu nascimento; o centenário do Machado de Assis, negro, considerado consensualmente como o maior escritor da nação brasileira; Os cinquenta anos da Bossa Nova, marco estilístico musical percussor na fusão de gêneros aparentemente contrastantes, como as influências nacionais, as cantigas ufanistas e o arranjo reinterpretado do jazz estadunidense.
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Diversos eventos marcam e marcaram o ano presente, por meio de apresentações musicais de instrumentistas e admiradores das citadas elaborações musiciais, seja por meio de republicações editoriais do apelidado bruxo do Cosme Velho. Ainda que com ressalvas do ministério da cultura na promoção de tais eventos, deve-se salientar que não raro são as secretarias de cultura as primeiras a deter-se em pequenas causas de interesses particulares, resultando em investimentos de procedência e motivação duvidosas.
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Para tal, basta lembrarmos da polêmica em torno do tombamento da casa do saudoso e influente letrista Jorge Amado e sua esposa, a Zélia. O pedido de tombamento partiu das mãos de sua própria esposa, em 2005. Doravante, por questões arquitetônicas de uma casa sem grandes riquezas estilísticas, o tombamento fora negado pela referida secretaria. Entretanto, frente a tal réplica, o que se questionou foi se o tombamento objetivava a estilística arquitetônica de uma casa evidentemente simplória, ou a proteção do habitat que simboliza um dos mais destacáveis escritores nacionais contemporâneos. Sob égide dos descendentes de Jorge, e sob mudança do governo ulterior, lhes foi possível obter a análise do provável tombamento.
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Ademais, muitas outras causas posteriores e menos louváveis incitaram o esforço familiar pelo tombamento (e sua posterior desistência) da referida casa. No dia seguinte à divulgação da aprovação do projeto, o grupo representante da casa, que tanto lutou pela sua aprovação, desiste do mesmo, pois o projeto afirma que lhes seria impossível uma excessiva ou desmedida intervenção arquitetônica na casa do Rio Vermelho. A intencionalidade do grupo era, afinal, construir um grande restaurante com os investimentos públicos, devastando o ambiente tradicional em que morou Jorge e economicamente usurfruindo, dessa forma, da apropriação de uma cultura simbólica, literária e imaterial.
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Em razão desta recente polêmica, muitas outras necessárias preocupações ocuparam (e ocupam) segundo plano. Reverter investimentos públicos voltados para a estimulação de cultura na Bahia é processual e, portanto, exige mais continuidade efetiva e menos esforço propagandista. A família Caymmi já avisou: cogita trazer todos seus bens para a terra das canções praieiras, intentando a construção de um possível museu do baiano com gastos públicos. Novas e vergonhosas polêmicas, todas do mesmo capítulo.
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- Silier Borges