sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Resumo: Passeio sobre a temática presidencialista americana, que perpassa incessantemente os noticiários de todo o mundo. Breve discurso acerca da polêmica étnica do chamado "primeiro presidente negro" dos Estados Unidos da América.
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They want change? (Eles querem mudar?)
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Lágrimas caudalosas de milhares de negros, brancos e imigrantes a escorrer pelas faces festejantes do parque central de Chicago. O fenômeno Barack Hussein Obama, eleito 44° presidente do EUA, destaca-se desde já, preponderante, sobre o oscilante e incerto jogo político mundial. Que terá feito um havaiano e negro derrotar o influente candidato McCain e, ademais, tornar-se senador e presidente da até então considerada nação mais racialmente agressiva do globo?
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Evidentemente, o novo presidente estadunidense é tido pela mídia internacional como primeiro negro americano já eleito. Todavia, recentes declarações do Barack H. Obama apenas evidencia sua política parcimoniosa e, por que não dizer, a priori, obscurantista em excesso: "serei um presidente de todos", apenas replica, quando indagado com a ingênua pergunta de quais grupos sociais norte-americanos esse priorizará durante o referido mandato.
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Outrossim, é inegável as comparações com o engajado pastor Martin Luther King, destacável negro a lutar pelo acesso aos direitos constitucionais civis e, portanto, ao processo de democratização através da concessão de cidadania plena e efetiva aos grupos minoritários norte-americanos. O homem que "tinha um sonho" fora, acertadamente, o mesmo no qual acreditara numa futura ascensão do negro ao cargo máximo de presidente de sua nação. Ademais, pode-se, amparado em acuidosa análise, afirmar um Obama negro? É crucial que avaliemos os fatos como o são, sem idealizações impertinentes. Os interesses partidários pode-se resumir, em linhas e termos gerais, à defesa e manutenção de classes que, assim como em quaisquer Repúblicas, são privilegiadas. Se "We need change" ('nós precisamos mudar', lema de campanha do supracitado eleito), quem há de enquadrar-se no "nós"? Eles, de fato, almejam mudanças? é evidente que, em essência, discursos vazios são proferidos a esmo por candidatos ávidos na conquista do maior número possível de eleitores nos Estados vários.
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A definição de raça é por demais amplo e, no presente momento, não cabe buscar as várias definições que lhe são atribuidas. Não raro, teóricos sociais reafirmam tal concepção como essencialmente descriminatória, visto que utilizado como argumento ou justificativa ideológica da marginalização, segregação e escravização dos grupos nacionais africanos. A relação entre cor de pele e descendência racial, como evidencia a genética, é incorrespondente. Entretanto, o conceito amplamente aceito na atualidade é etnia, mais ampla e que engloba aspectos sócio-culturais particulares de grupos específicos. Como já afirmado, Obama não vê-se negro, apesar de, paradoxalmente, ter afirmado em público que já fora vítima de posicionamento racista. Convenhamos. Antes de negro ou mulato ou branco, B. Obama é presidente americano e, sob uma perspectiva pessimista porém historicamente realista da doutrina presidencialista americana, isso basta.
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E assim o é o candidato provido da virtù (virtude) Maquiavélica: provém-se do apoio popular segundo seus próprios talentos, tais como adequados posicionamentos e habilidades prévias, afim de usurfruir e manter hábil e adequadamente o Estado e, per summa, tudo aquilo que a fortuna (sorte) vier a lhe conceder.
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- Silier Borges