sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Resumo: passeio crítico sobre as recentes declarações do Papa Bento 16 quanto a homossexualidade e sua prática.
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O Papa, os feudos, e o homossexualismo
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Evidentemente que inspirado pela proximidade das festividades natalinas, o Papa Bento 16 reafirmou-se leviano em palestra conferida aos internos do Vaticano, ao consagrar o homossexualismo como comportamento visceralmente preocupante, comparando-o com a premente necessidade de salvar prados e florestas.
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Para Bento, quaisquer tentativas de desprezar diferenças comportamentais entre os sexos é tentativa vã de distanciar-se do divino que, segundo a doutrina cristã católica, foi responsável por estabelecer os castos dogmas do santo matrimônio. Até que instante verifica-se coerência dos discursos da chamada vossa santidade? em verdade, é notório que são os credos as principais instituições sociais a ignorar total ou parcialmente os fenômenos já consagrados pelo método científico.
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Quaisquer posicionamentos contemporâneos embasados em resultados de investigação científica inverifica a exclusividade da homossexualidade à espécie humana: ainda que comportamentos feminis e masculinos sejam divergentes devido a aspectos tanto culturais quanto biológicos, deve-se salientar que em quase totalidade dos mamíferos existentes verifica-se a presença de casais essencialmente homossexuais. Assim sendo, se aos católicos são os animais isentos de pecado porém adeptos do homossexualismo, incorre em erro de lógica a Igreja quando afirma o teor pecaminoso da escolha sexual. Típica falácia de cunho moral, resquício do extremo conservadorismo impregnado às sociedades ocidentais desde a ascensão da cultura feudal.
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Importante notar que a marginalização e castração da vontade e dos impulsos sexuais igualmente essenciais à existência e satisfação humanas são mais do que responsáveis pela demagógica prática da pedofilia entre adeptos e representantes da referida instituição. Não raro afirma-se o voto celibatário como instigador à perversão entre padres e frades. Em 2002, o mais velho cardeal dos Estados Unidos, Bernard Law, estava sob pressão para renunciar ao sacro cargo, visto ser um acusado de molestar crianças. Ainda que o papa João Paulo II, quando em vida, tenha explicitado publicamente o repúdio pela perversão de padres e cardeais em seus voluntários claustros, o fato é que mais de quatrocentas reclamações foram registradas somente na arquidiocese de Boston. Em breve, os noticiários, a relatarem exultantes, novos casos de explícita e santíssima demagogia.
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- Silier Borges