Multiculturalismo, marginalização e religiosidade
As religiões, em seus dogmas e doutrinas, são naturalmente contraditórias (devido aos mais diversos fatores, como divergências culturais e ideológicas entre os povos, mas que aqui não cabe salientar), e portanto não são tolerantes a um mútuo convívio harmonioso. Daí a recente citação do papa Bento XVI, em que afirma ser a Igreja Católica única e exclusiva representante do cristo sobre a terra. Tal característica se perpetua nas mais diversas religiões ocidentais. Mas a propagação da intolerância para com a cultura negra, em específico, não pode ser justificada pela proposição anterior, e sim por uma questão nitidamente história, do qual os explorados negros ficaram relegados ao processo de marginalização social, político, econômico e, consequentemente, religioso.
Acredito ser a alienação do indivíduo para com o social o maior dos crimes cometidos não tão somente à população negra, mas a muitas etnias do país. Os debates "desracializados", proposto pelos grupos detentores do capital, são dotados paradoxalmente de inocência e malícia, quando afirma que deve-se vencer o abismo de estratificação social por meio da tão somente análise passiva das classes conflitantes, esquecendo-se pois do dever histórico do Estado em ressacir as atrocidades cometidas contra o negro raptado e escravizado. É dever do Estado e obrigação do cidadão quebrar certos paradigmas, para portanto buscar a respeitabilidade das múltiplas culturas que compõem o país. O 20 de Novembro, sim, é uma luta diária.
- Silier Borges