segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Resumo: Neste pequeno artigo, argumenta-se a fragilidade do ato solitário na prática do ecocentrismo, apontando caminhos para o desenvolvimento sustentável por meio das práticas coletivas, aliadas às obrigações inatas ao Estado.

Trinômio Cidadania, Estado e Meio-ambiente

Ações ou práticas que vise a sustentabilidade socio-ambiental são frutos de uma reavaliação comunal e factual da degradação antrópica sobre o ecossistema, e portanto há sim, ainda que embrionário, um relativo resgate dos valores éticos na nossa sociedade. Entretanto, acredito ser este um processo um tanto quanto utópico, já que a própria estrutura do sistema capitalista de produção propicia o desenvolvimento do "eu" em detrimento do "outro". Se o trinômio egoísmo / egocentrismo / consumismo é pregado pela indústria da mídia formadora de opinião, torna-se inevitável o esquecimento geral da moralidade e do seu valor doutrinário. De toda a forma, a culpa não é somente do Capitalismo moderno, mas do próprio homem, instintivo ente parasitário dos recursos naturais.

Acredito que agir isoladamente na prática ecológica tão-somente constitui um leviandade, já que infelizmente ainda é minoria os que praticam a reciclagem (por exemplo), e menos ainda os orgãos que promovem tais práticas. A ação isolada é fuga do verdadeiro ato cidadão, que é a exigência dos governos pelo estabelecimento de medidas efetivas que visem organizar e reorganizar o espaço urbano com a coerência que a lei exige.

- Silier Borges

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Resumo: Analisando coerentemente os fatos, o autor relaciona as práticas da violência nos centros urbanos com diversos outros fênomenos sociais, tal como a banalização da violência pelos mais variados âmbitos.

A violência da banalização: um processo político e social

É agravante a atual situação dos processos marginalizatórios dos grandes aglomerados urbanos, facilitadores das práticas ilícitas, caracterizadas como violência. Quando os investimentos estão restritos às áreas de segurança e força policial, e os mesmos não oferecem resultados efetivos, é necessário que o quadro seja reavaliado.

A banalização das ditas práticas inconstitucionais, aos olhos dos políticos, tem tornado a violência social e suas vertentes (agressões físicas, psicológicas e morais aos grupos minoritários) um fato desprovido de solução. Comumente ouve-se falar em investimentos que propiciem o aumento do poderio bélico das forças policiais, mas pouco é discutido sobre o combate a corrupção por entre os governistas. Segundo recente declaração do presidente da república Luís Inácio, 60% dos investimentos nas diversas áreas são perdidos em sua distribuição aos Estados e Municípios.


É ainda mais profunda a causa da violência na sociedade. A ausência de política de infra-estrutura na construção dos bairros contribui para o crescimento desordenado das periferias aumentando a níveis alarmantes o abismo de estratificação social. Quando a desigualdade entre as classes atinge seu ápice, torna-se conseqüência o aumento gradativo das práticas ilegais.


A violência não é somente mais um caso de polícia, mas de políticas públicas. Investir unicamente em armamentos e nas forças policias não resolverá o atual quadro de falência das instituições que regem a sociedade. Somente proporcionando o desenvolvimento da educação pública e combatendo a corrupção o país atingirá o tão esperado progresso de grande nação.

- Silier Borges

Redação vencedora das "Olimpíadas da Leitura e da Redação" Ensino Médio, disponível no Portal Tô Sabendo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Resumo: Valendo-se de um ponto de vista imparcial, o autor disserta sobre as influências de partidários e das empresas privadas sobre os festivais baianos de caráter popular. Conclui com um termo sociológico que configura o fato como "globalitarismo".


Bahia: Carnaval, Consumismo e Apartheid


É invariavelmente impactuoso a interferência do Estado e da iniciativa privada nas culturas populares. Salvador, recentemente, possui inúmeras festas e festivais de massa, que há muito representavam, de maneira genuína, a manifestação do sincretismo e da cultura exclusivamente popular.


Entretanto, o que se tem visto são as intensas imposições governistas e partidárias, ou quando não, a irrefutável presença de empresas privadas, descaracterizando tais festas com seus slogans e marcas de consumo. Exemplificando, na festa do Senhor do Bonfim, tradicional festejo de louvor ao santo e orixá, os mitos e as práticas tradicionais se extinguiram. As carroças enfeitadas ainda se mantém presentes, mas agora como espécie de palanque improvisado para políticos de menor visibilidade.


Os antigos desfiles das ‘baianas’ no festival citado, são precedidos de desfiles partidários, onde desordenadamente transpassam os “passistas” dos mais variados membros da oposição e suas respectivas bandeiras. Não antes do inicio da incompreensível cena, onde o governador, prefeito, ex-prefeitos, e deputados desfilam em meio a fogos e cervejas, isolados de sua população por forte cordão da Polícia Militar. Cordão esse que define um apartheid modernizado, onde somente turistas convidados são autorizados a participar. Enfim, mais uma cultura do povo extraviada para meandros de interesses de particulares, políticos, e empresas, todos vorazes por maior visibilidade e prestígio social.


E este é apenas um dos infindáveis exemplos de festas populares descaracterizadas por interesses puramente econômicos. O mais significativo dos exemplos no Estado da Bahia, creio eu, que seja o carnaval de Salvador, que há muito desaparecera as tradicionais “marchinhas” embaladas por crianças, pescadores e populares.


Substituída, claro, pela ânsia de consumo e imagem que domina o cenário mundial, tendo os países financeiramente desenvolvidos como vanguarda na imposição cultural a qual impõe às nações dependentes. Instala-se, portanto, sobre as amarras do globalitarismo, a apropriação da cultura pelo capital.


- Silier Borges