sábado, 15 de novembro de 2008

Resumo: Análises várias acerca da condição humana sexual, crucial tanto para o desenvolvimento filogenético (da espécie) quanto ontogênico (histórico-pessoal), através do discorrer de conceitos teóricos freudianos e darwinistas. Em verdade, teóricos distintos que, cada qual a seu modo e possibilidade, dissertaram sobre semelhante questão: a sexualidade.
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O livre-pensamento e o paradigma da Sexualidade
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Evidentemente, a concepção usual de livre-pensamento pôe-se em risco. Em verdade, as contigências ou variáveis tanto intrínsecas quanto exógenas (contextuais), contribuem em diferentes níveis de influência em todo poder e capacidade decisório humano. Ademais, igualmente significativo é o paradigma da sexualidade, perpassada sob diferentes personas ao longo da História, mas que contemporaneamente, sabe-se influir herculeamente no mensurável comportamento consciente, pois bem se diga: mesmo a sexualidade habita os meandros do não tão evidente plano da inconsciência.
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À concepção Darwinista da seleção natural, elaborada em meados do seculo XIX, é também atribuida a nomenclatura de seleção sexual. Pois que através do coito que surgem gerações, e para Darwin, também espécies. A variabilidade racial, portanto, para os neodarwinistas (Teoria Sintética da Evolução), dá-se por meio de mutações aleatórias no código genético que são favoráveis à sobrevivência em condições ambientais específicas. De tal forma, o meio determina indivíduos adaptados ao meio contextual, permitindo a perpetuação das gerações seguintes por meio da hereditariedade destes componentes adaptados.
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Como conceber o homem desprovido de sua sexualidade, afirmando imprudentemente pecaminoso o ato que é responsável, essencialmente, pela existência? Assim fora feito desde séc. V, onde o entender do homem puro, casto e cristão perpassava o ignorar de valores essenciais e, por que não dizer, também inatos à sua sobrevivência, entre eles o sexo e a alimentação. Os chamados "pecados capitais", impostos desde então, são manifestações contrárias às necessidades primárias e, portanto, não raramente associadas por filósofos vários como contrárias à vida em sua plena manifestação.
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Certamente, o ideal de homem dotado de razão e portanto livre, perpassa o pensamento socrático, do qual o auto-conhecimento é condição precípua para a liberdade integral, esta manifestada em tríade do qual o ápice é a sua racionalidade superior, meandros vestigiais do ser divinizado. Todavia, tão-somente em 1900, a partir da publicação da Interpretação dos Sonhos, do Sigmund Freud, que se debate abertamente questões de caráter inalterável desde Grécia antiga. Para o teórico da Psicanálise, a sexualidade é também infantil, preconizando-se desde sua concepção. Os chamados estágios psicossexuais do desenvolvimento (oral, anal, fálica, latência, genital), elaborado pelo mesmo, contrbuira significativamente para um reeducar-se do entender humano, haja visto que são etapas etárias dos quais são correlatas a dadas fontes de prazer ou sexualidade. Nada mais verdadeiro que o Princípio do prazer freudiano, do qual todo homem estima o prazer e realização de seus impulsos primevos, por sua vez impedidos pelos valores e costumes sociais de gênese extrínseca, porém internalizada (este último, o Princípio da realidade). A sexualidade, portanto, em suas várias facetas e manifestações, é também sinonímia de prazer, possibilitada em quaisquer faixas etárias. Nenhum teórico até então rompera fortemente com os classicismos paradigmáticos filosóficos ulteriores, causando furor nas sociedades tradicionais.
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Entretanto, é possível estabelecer correlação entre Sigmund Freud e Charles Darwin, observando-se que possuem evidentes focos distintos? Qual interação há entre o teórico do inato e o seminarista do contexto? Ambos enfatizaram a sexualidade sob ângulos diferenciados para compor suas teorias e, cada qual a seu modo e possibilidade histórico e científica, favoreceram o entender contemporâneo do homem integral e multifacetado. Resta-nos, protótipos dos seres do porvir, a seguinte pergunta: frente a tantas influências na composição comportamental humana, é ainda possível supor o homem um dotado da suprema racionalidade, integrado a saberes metafísicos que o tornaria livre por completo?
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- Silier Borges

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Resumo: Passeio sobre a temática presidencialista americana, que perpassa incessantemente os noticiários de todo o mundo. Breve discurso acerca da polêmica étnica do chamado "primeiro presidente negro" dos Estados Unidos da América.
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They want change? (Eles querem mudar?)
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Lágrimas caudalosas de milhares de negros, brancos e imigrantes a escorrer pelas faces festejantes do parque central de Chicago. O fenômeno Barack Hussein Obama, eleito 44° presidente do EUA, destaca-se desde já, preponderante, sobre o oscilante e incerto jogo político mundial. Que terá feito um havaiano e negro derrotar o influente candidato McCain e, ademais, tornar-se senador e presidente da até então considerada nação mais racialmente agressiva do globo?
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Evidentemente, o novo presidente estadunidense é tido pela mídia internacional como primeiro negro americano já eleito. Todavia, recentes declarações do Barack H. Obama apenas evidencia sua política parcimoniosa e, por que não dizer, a priori, obscurantista em excesso: "serei um presidente de todos", apenas replica, quando indagado com a ingênua pergunta de quais grupos sociais norte-americanos esse priorizará durante o referido mandato.
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Outrossim, é inegável as comparações com o engajado pastor Martin Luther King, destacável negro a lutar pelo acesso aos direitos constitucionais civis e, portanto, ao processo de democratização através da concessão de cidadania plena e efetiva aos grupos minoritários norte-americanos. O homem que "tinha um sonho" fora, acertadamente, o mesmo no qual acreditara numa futura ascensão do negro ao cargo máximo de presidente de sua nação. Ademais, pode-se, amparado em acuidosa análise, afirmar um Obama negro? É crucial que avaliemos os fatos como o são, sem idealizações impertinentes. Os interesses partidários pode-se resumir, em linhas e termos gerais, à defesa e manutenção de classes que, assim como em quaisquer Repúblicas, são privilegiadas. Se "We need change" ('nós precisamos mudar', lema de campanha do supracitado eleito), quem há de enquadrar-se no "nós"? Eles, de fato, almejam mudanças? é evidente que, em essência, discursos vazios são proferidos a esmo por candidatos ávidos na conquista do maior número possível de eleitores nos Estados vários.
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A definição de raça é por demais amplo e, no presente momento, não cabe buscar as várias definições que lhe são atribuidas. Não raro, teóricos sociais reafirmam tal concepção como essencialmente descriminatória, visto que utilizado como argumento ou justificativa ideológica da marginalização, segregação e escravização dos grupos nacionais africanos. A relação entre cor de pele e descendência racial, como evidencia a genética, é incorrespondente. Entretanto, o conceito amplamente aceito na atualidade é etnia, mais ampla e que engloba aspectos sócio-culturais particulares de grupos específicos. Como já afirmado, Obama não vê-se negro, apesar de, paradoxalmente, ter afirmado em público que já fora vítima de posicionamento racista. Convenhamos. Antes de negro ou mulato ou branco, B. Obama é presidente americano e, sob uma perspectiva pessimista porém historicamente realista da doutrina presidencialista americana, isso basta.
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E assim o é o candidato provido da virtù (virtude) Maquiavélica: provém-se do apoio popular segundo seus próprios talentos, tais como adequados posicionamentos e habilidades prévias, afim de usurfruir e manter hábil e adequadamente o Estado e, per summa, tudo aquilo que a fortuna (sorte) vier a lhe conceder.
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- Silier Borges