Resumo: breve avaliação crítica acerca da diferenciação de castas nos meios academicistas; evidentemente, repetição vã de hábitos medievais.
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Sobre baús e homens
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A cada dia torna-me cada vez mais evidente a intangibilidade do conhecimento acerca de nossa condição existencial, em sua amplidão e completude. Tal como afirmara Kant, o númenos (essência ou coisa-em-si) não nos é possível pelos misterios maiores o acesso, mas tão-só ao mundo fenomênico, o que nos verifica a impossibilidade de compreensão do homem pelo homem total, enquanto ser integral.
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Entretanto, o objetivo do presente artigo não é o dissertar acerca da metafísica kantniana. É, em verdade, o livre debate e proposição enquanto ode à reflexão, sem pretensões por demais especulativas. O fato é que, enclausurado em si mesmo e em seus sacros ideais, é o homem um inveterado baú de segredos, mistérios e, antes de tudo, o mais rijo dogmatismo pela vontade irrefreada de ascensão social.
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Duques, condes, arqueduques e outros títulos apenas revelaram-se enquanto títulos ou rótulos necessários para o estabelecimento de castas sociais definidas de extrema rigidez mesmo na modernidade. Um arqueduque o seria mesmo após a sua morte, que o imortalizaria para a posteridade e gerações vindouras: seu filho carregaria o mesmo respeitável título. Na contemporaneidade, mestres e doutores, muito longe de representarem em número ou grau de saber, tão-somente replica títulos de nobreza àqueles que desejam ascensão do glamour sem necessariamente prover a si a estimada ascensão do intelecto.
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Desta forma, em plena época de reanálise dos pré-juizos mantidos mesmo no decorrer do século passado (e, portanto, resquício de fossas feudais), reelabora-se castas de nobreza, adequando-as às novas castas academicistas. A vontade em tornar-se homo superior é evidente e, porque não dizer, coletiva, se não embalada pela onda de individualismo propagado pelo sagrado deus do Capital.
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Nietzsche, em dado momento, afirmara que "as convicções são como cárceres". Títulos de nobreza contemporâneos, de tal forma, podem ser tidos como grilhões, enquanto não houver honesta disposição a priori pela correspodência da dita nomeação com o grau de saber detido pelo nomeado.
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- Silier Borges