Resumo: Questionamentos sobre políticas de consumo, sustentabilidade, alardes previsíveis e Nobels.
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De Gil à Gore
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Carros multifuncionais confundem-se com inimaginávies aparatos da mais elevada tecnologia produzidos em massa e série pelas indústrias, detentora do poder despótico de reciclar paradigmas. Tal como Gilberto Gil o tenha afirmado, é inveridico soluções mágicas e instantâneas como resolução imediatista que objetiva sanar o apartheid político, social, cultural e, acrescento eu, principalmente tecnológico que abrange o país.
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Ainda que a propaganda do politicamente correto, que supostamente norteia a conduta empresarial consolidada pela Governança Corporativa, seja propagada pelos quatro pontos cardeais, vê-se não-raro e à surdina a inversão prática de tais valores. Verídico é afirmar que produz-se mais com a utilização de matéria-prima e meios de produção propícios à sustentabilidade. Ademais, vale salientar que, por outro lado, prega-se simultaneamente do mesmo consumismo idólatra pelos bens finais produzidos, estimulando a irrefletida voracidade de produção aos bens que, mesmo antes de descartados, agridem e impactuam o chamado ciclo ambiental.
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Do lado estatal, prega-se como sacras palavras a inclusão digital, visto ser a retenção de conhecimentos do mundo informativo o primeiro passo para a introdução do jovem ao amplo porém elevadamente especializado mercado de trabalho. Há, portanto, um evidente paradoxo: deve-se mesmo estimular a formação trabalhadores especializados em tecnologia e consumo de massa, ainda que sob efetivo risco de eliciar o colapso dos recursos naturais, discurso este amparado sobre o pretenso argumento de "democratização de acesso aos bens de consumo"?
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Questão complexa reconhecida sob as palavras de Gil. Notório, igualmente, a facilidade de influentes governistas em alardear situações complexas sem de fato propô-las soluções práticas, visíveis e tangíveis: sob entonação e feição graves, das que estão a enumerar calamidades que lhe garantam o Nobel, muitos o fazem. Gore que o diga.
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- Silier Borges