Resumo: Análise e crítica do pensamento reprodutor, que afirma falaciosamente a humildade como epicentro do discurso socrático.
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O paradoxo do soberbo Sócrates
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Manuais do pensar, pressupostas teses ortodoxas do pensamento socrático, tal como muitas das pseudo-análises textuais dos escritos platônicos, tão-somente revelam-se repetições vãs de aforismas que, não raro, nunca o foram proclamadas pelo referido filósofo.
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Venhamos e convenhamos, não há humildade em muitas das afirmações socráticas, o que de fato constitui um paradoxo tratando-se do personagem Sócrates. Qualquer leitor atento dos seus diálogos, se aperceberá da ausência de humildade nas alegações socráticas, destacavelmente nos textos de Fedro e Hípias menor, onde a persona Sócrates brinca em sua dialética com o interlocutor, revelando-se superior na avaliação crítica dos temas perante a quem dialoga e conduzindo-os perante sua própria forma de pensar. Quebra paradigmas quem afirma que a ironia é relevante demonstração da ausência de humildade no discurso do grego.
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De maneira demasiadamente simplista, pode-se afirmar que tal pressuposto alinha-se com a tendência filosófica moderna que descarta maiêutica enquanto método socrático (visto que o filósofo não faz nascer idéias do interlocutor), mas tão-somente conduzi-los ao conhecimento perante logicidade deste primeiro, através do método Elenkhos. Retornando ao tópico frasal, a contraditoriedade maior de seu pensamento segue a lógica de um Sócrates que se vangloria soberbamente pela sua vasta sabedoria (a exemplo do tão citado enunciado da Apologia, assim como do pouco conhecido Eutífron, dentre outros textos), embora constantemente alegue ignorância dos temas a que discute, ressaltando com significativa ironia a falaciosa sabedoria do seu ocasional interlocutor.
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Mas qual a importância de alegar o Elenkhos como método socrático, na contemporaneidade? É simplesmente este o justo reconhecimento de que Sócrates não "paria ou fazia nascer idéias", como Chauí e outros desavisados pregaram até então, mas reconhecer que Sócrates sempre fora portador do vasto conhecimento à temática da propôs-se dialogar. De tal forma, constitui-se gravissimo erro alegar que o dito "homem mais sábio de Athenas", como afirmara Oráculo, um mero humilde ou quiçá sofista ignorante.
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- Silier Borges