Resumo: Pensamentos dispostos em texto sobre a arte e a técnica da retórica, dialética, oratória e sobre o que a obra Fedro, de Platão, ainda tem a nos dizer sobre o tema.
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A arte do bem dizer
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Enquanto visualizamos em terras tupiniquins políticos versados no âmbito do discurso, proclamando meias-verdades sob suposta égide da mais absoluta convicção, questionamo-nos acerca do que refere-se ao orador e suas várias possíveis disposições.
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Para tal, vale-se ressaltar obras de Platão, enquanto documentos capazes de fornecer-nos teorias gerais que condizem com a veracidade sobre o referido. Para o filósofo e pensador, sob a persona Sócrates, é a retórica a arte ou técnica de conduzir as almas por meio da persuasão, e nada mais verídico do que afirmar o mesmo. Para tal, questiona-se acerca do que até então se publicou sobre a técnica, visto para o pensador, toda escrita encontra-se disposta em grau inferior ao que é proferido. Para tanto, valoriza a oralidade e prima pela arte do bem discursar, no instante em que se apercebe acerca da impossibilidade de um texto defender-se, dependendo exclusivamente de acréscimos no ato de defender-se via o autor que o produziu.
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A oralidade não torna o escrever ato vergonhoso ou de desonra, apenas prova-o superior: Um discurso declamado, além de dotado de defesa perante possíveis refutações (argumento exposto no parágrafo anterior), pode possuir efeito maximizado pelo artista da palavra que, compreensivo do fenômeno de que certas almas se adéquam a certos tipos de discursos, pode efetuar a modalidade de discurso a fim de atingir acertadamente determinado tipo de alma. A exemplo, discursos enfaticamente metafóricos, floreados ou concisos atingirão com efetividade tipologias humanas que se adéqüem a tais possibilidades. A tal proposta de forma, quando aliada ao conteúdo proposto (do que é Verdadeiro, pois belo), alinha-se harmoniosamente com a arte do orador, comprometido dialético e diferenciado da mera técnica da retórica. Desta perspectiva, é a arte de orar típica do plano ideal, enquanto sua manifestação escrita, que genuinamente despreza as possibilidades da memória humana ao armazenar conhecimento em vias exteriores ao mesmo, tão-somente reflexo e imagem de algo que lhe prova superior.
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Argumentos tais são expostos em evidência, de maneira incomensuravelmente mais completa e vasta na obra Fedro, onde o personagem homônimo dialoga sobre as referidas questões com o Sócrates, sagaz crítico dos escritores de discurso. Curioso notar que é a própria vítima a quem critica, lhe torna benfazeja: proporcionou ao filósofo que nada escrevia os anais da história documentada.
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- Silier Borges
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Para tal, vale-se ressaltar obras de Platão, enquanto documentos capazes de fornecer-nos teorias gerais que condizem com a veracidade sobre o referido. Para o filósofo e pensador, sob a persona Sócrates, é a retórica a arte ou técnica de conduzir as almas por meio da persuasão, e nada mais verídico do que afirmar o mesmo. Para tal, questiona-se acerca do que até então se publicou sobre a técnica, visto para o pensador, toda escrita encontra-se disposta em grau inferior ao que é proferido. Para tanto, valoriza a oralidade e prima pela arte do bem discursar, no instante em que se apercebe acerca da impossibilidade de um texto defender-se, dependendo exclusivamente de acréscimos no ato de defender-se via o autor que o produziu.
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A oralidade não torna o escrever ato vergonhoso ou de desonra, apenas prova-o superior: Um discurso declamado, além de dotado de defesa perante possíveis refutações (argumento exposto no parágrafo anterior), pode possuir efeito maximizado pelo artista da palavra que, compreensivo do fenômeno de que certas almas se adéquam a certos tipos de discursos, pode efetuar a modalidade de discurso a fim de atingir acertadamente determinado tipo de alma. A exemplo, discursos enfaticamente metafóricos, floreados ou concisos atingirão com efetividade tipologias humanas que se adéqüem a tais possibilidades. A tal proposta de forma, quando aliada ao conteúdo proposto (do que é Verdadeiro, pois belo), alinha-se harmoniosamente com a arte do orador, comprometido dialético e diferenciado da mera técnica da retórica. Desta perspectiva, é a arte de orar típica do plano ideal, enquanto sua manifestação escrita, que genuinamente despreza as possibilidades da memória humana ao armazenar conhecimento em vias exteriores ao mesmo, tão-somente reflexo e imagem de algo que lhe prova superior.
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Argumentos tais são expostos em evidência, de maneira incomensuravelmente mais completa e vasta na obra Fedro, onde o personagem homônimo dialoga sobre as referidas questões com o Sócrates, sagaz crítico dos escritores de discurso. Curioso notar que é a própria vítima a quem critica, lhe torna benfazeja: proporcionou ao filósofo que nada escrevia os anais da história documentada.
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- Silier Borges