sábado, 2 de maio de 2009

Resumo: o presente artigo trás ao âmbito do debate temas referentes às inquietações do processo de publicação ao eminente escritor, e suas várias vertentes possíveis.
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Novas palavras aos velhos leitores
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Se para o Rilke, num diálogo a um escritor em potencial, o requisito para tornar-se poeta é perguntar-se sobre a necessidade premente da escrita (“se tu ausentasses da escrita, conseguiria ainda viver?”), muitos dos redatores da contemporaneidade haveriam de abandonar tal posto. Quando indagada com a mesma ênfase a supracitada questão, respondera veemente Clarice, em sua última entrevista datada de 1977: “Pois que quando escrevo, já estou morta”. Embora sob tal funesta declaração, de teor claramente subversivo, certamente encontra-se Lispector entre os destacáveis escritores da modernidade.
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O fato, pois, abarca uma temática dotada de várias vertentes, todas passíveis do debate acuidoso e da análise criteriosa. Em uma das várias sessões do Café literário, promovidas pela 9ª Bienal do Livro na Bahia (2009), levantou-se a problemática das evidentes dificuldades que encontra o eminente escritor na publicação de obras inéditas autorais. O dado que nos evidencia a potencialidade de leitores, dos quais em dez dias de atividades abarcou 272 mil pessoas ao referido evento, igualmente evidencia acerca do crescimento espontâneo de novos escritores baianos, a levantar inquietações, frutos da ânsia de publicar-se, faceta da simbologia maior que anseia o tornar-se lido, comentado e conhecido (assim como todas as demais considerações posteriores que supostamente remete-nos ao ato e glória de publicar).
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Dentre questões passiveis de debate, trouxe-nos a reflexão acerca de políticas publicas que visam conferir notoriedade aos escritores recentes e ascendê-los através de divulgação e publicações, não raro em convênio com entidades privadas. Outros, optam pela auto publicação, que confere ao escritor a autonomia - e o desespero - de vender suas próprias obras editadas.
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Muito se questiona acerca do crescente número de escritores contemporâneos, frente à inexpressiva massa de leitores nacionais. Com a análise criteriosa se verifica que a causalidade encontra-se no verdadeiro déficit de leitores regulares, devido a ausência de políticas publicas que, ao primar pela publicação dos novos autores, esquece-se da notoriedade que são os investimentos no âmbito da educação pública estadual. Pois como exigir leitores à massa populacional a quem carece criteriosa formação?
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- Silier Borges