quinta-feira, 11 de junho de 2009

Resumo: Análise estilística e poética da crua realidade das metrópoles, em suas ruas de concreto e de nostálgicos habitantes.
.
Queremos ambos!
.
In memorian, ouvir "Casa no Campo" do versado Zé Rodrix, cantarolado pelas mais diversas vozes nacionais, remete-nos à paixão interiorana que, na atualidade, ressurge como força precípua e onipotente, dominadora esta dos anseios maiores das grandes metrópoles.
.
Digo acerca da sempre presente violência que manda sob toque de recolher os bons, à noite taciturna, retirando-os do justo sono, renegando-lhes à mediocridade de uma vida suburbana. Tancrafiados à sete chaves, marginalizados são seus corpos e corações. Não há mais emoção naquele que presencia e sucumbe ante o absurdo do cotidiano. Pois digo: estão presos esses homens suburbanos, em suas moradias gradeadas.
.
Como liberta-se sob égide da chamada democracia o impune, contraditoriamente aprisionando o são em seu lugar originário? A flâmula a que prega os horários eleitorais não mais correspondem às mensagens factuais e cotidianas. O quartel dos aflitos, relegados ao brasileiríssimo esquecimento absoluto, é como pranto surdo e inaudível, silencioso, sem eco e sem mais nada.
.
Queremos poesias regionalistas que compreendam o mundo em sua totalidade. Estimamos poesias bucólicas, porém engajadas político-socialmente. Queremos ambos.
..
Resta-nos, indignados prosadores, sabiamente versar o quanto queremos "uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz, e tenha somente a certeza, dos limites do corpo, e nada mais..."
..
(Postado originalmente na página folhaexistencialista.com.br).