sábado, 12 de setembro de 2009

Resumo: ressalva da ruptura da forma mentalista ou dualista, que caracterizara a forma de pensar humana por séculos de desenvolvimento filosófico. Ressalta-se a contribuição da perspectiva analítica comportamental no desligamento da prática usual onde atribui-se causalidade não a fenômenos descritivos, mas a eventos privados e inacessíveis pelo experimentador.
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A falácia do dualismo
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A incoerência do pensamento dualista, caracterizado inicialmente enquanto de natureza platônica, foi posto em questionamento pelas mais diversas vertentes do saber, desde a ruptura moral explicitada na filosofia moderna de Nietzsche até o âmbito das ciências contemporâneas. A ruptura do pensamento dito mentalista ou dito “psicologista”, é caracterizado como atribuidor de causalidade comportamental a sentimentos ou estados emocionais imensuráveis, quando evidências empíricas apontam para contingências de reforçamento ou extinção, sendo tais eventos contextuais que atuam em contiguidade a influências originalmente genéticas, determinando o repertório comportamental.
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Ademais, a unicidade do sujeito enquanto constituinte no mundo dá-se pela compreensão filogênica e ontogênica; realizar tal inferência é como a afirmativa de particularidade, exclusividade e responsabilidade individual, no instante em que se compreende que tanto a cadeia genética quanto os eventos sociais antecedentes ao indivíduo são, necessariamente, irrepetíveis entre espécimes.
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Para B. F. Skinner, a inadequação das várias vertentes de atuação da Psicologia (visto que tal caracteriza-se enquanto ciência pré-paradigmática) de cunho mentalista ou obscurantista apenas evidencia a problemática de relegar causalidade a eventos intermediários, não raros fugidios à instrumentalização de uma atuação analítica. A tríade evento físico – evento privado – evento físico, mais do que um esquema didático, representa a possibilidade de atuação real e radical terapêutica, onde o analista, ao observar contingências (se..., então), avança em atribuir relações funcionais a um indivíduo não passivo ou tão-somente respondente, mas que opera sobre o meio, reelaborando contextos sociais que por sua vez, os determina. Logo, fácil torna-se concluir que a dotação de individuo passivo a pulsões imensuráveis não compreende a amplitude da perspectiva analítica experimental comportamental.
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- Silier Borges