domingo, 18 de janeiro de 2009

Resumo: Questionamentos sobre políticas de consumo, sustentabilidade, alardes previsíveis e Nobels.
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De Gil à Gore
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Carros multifuncionais confundem-se com inimaginávies aparatos da mais elevada tecnologia produzidos em massa e série pelas indústrias, detentora do poder despótico de reciclar paradigmas. Tal como Gilberto Gil o tenha afirmado, é inveridico soluções mágicas e instantâneas como resolução imediatista que objetiva sanar o apartheid político, social, cultural e, acrescento eu, principalmente tecnológico que abrange o país.
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Ainda que a propaganda do politicamente correto, que supostamente norteia a conduta empresarial consolidada pela Governança Corporativa, seja propagada pelos quatro pontos cardeais, vê-se não-raro e à surdina a inversão prática de tais valores. Verídico é afirmar que produz-se mais com a utilização de matéria-prima e meios de produção propícios à sustentabilidade. Ademais, vale salientar que, por outro lado, prega-se simultaneamente do mesmo consumismo idólatra pelos bens finais produzidos, estimulando a irrefletida voracidade de produção aos bens que, mesmo antes de descartados, agridem e impactuam o chamado ciclo ambiental.
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Do lado estatal, prega-se como sacras palavras a inclusão digital, visto ser a retenção de conhecimentos do mundo informativo o primeiro passo para a introdução do jovem ao amplo porém elevadamente especializado mercado de trabalho. Há, portanto, um evidente paradoxo: deve-se mesmo estimular a formação trabalhadores especializados em tecnologia e consumo de massa, ainda que sob efetivo risco de eliciar o colapso dos recursos naturais, discurso este amparado sobre o pretenso argumento de "democratização de acesso aos bens de consumo"?
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Questão complexa reconhecida sob as palavras de Gil. Notório, igualmente, a facilidade de influentes governistas em alardear situações complexas sem de fato propô-las soluções práticas, visíveis e tangíveis: sob entonação e feição graves, das que estão a enumerar calamidades que lhe garantam o Nobel, muitos o fazem. Gore que o diga.
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- Silier Borges

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Resumo: breve avaliação crítica acerca da diferenciação de castas nos meios academicistas; evidentemente, repetição vã de hábitos medievais.
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Sobre baús e homens
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A cada dia torna-me cada vez mais evidente a intangibilidade do conhecimento acerca de nossa condição existencial, em sua amplidão e completude. Tal como afirmara Kant, o númenos (essência ou coisa-em-si) não nos é possível pelos misterios maiores o acesso, mas tão-só ao mundo fenomênico, o que nos verifica a impossibilidade de compreensão do homem pelo homem total, enquanto ser integral.
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Entretanto, o objetivo do presente artigo não é o dissertar acerca da metafísica kantniana. É, em verdade, o livre debate e proposição enquanto ode à reflexão, sem pretensões por demais especulativas. O fato é que, enclausurado em si mesmo e em seus sacros ideais, é o homem um inveterado baú de segredos, mistérios e, antes de tudo, o mais rijo dogmatismo pela vontade irrefreada de ascensão social.
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Duques, condes, arqueduques e outros títulos apenas revelaram-se enquanto títulos ou rótulos necessários para o estabelecimento de castas sociais definidas de extrema rigidez mesmo na modernidade. Um arqueduque o seria mesmo após a sua morte, que o imortalizaria para a posteridade e gerações vindouras: seu filho carregaria o mesmo respeitável título. Na contemporaneidade, mestres e doutores, muito longe de representarem em número ou grau de saber, tão-somente replica títulos de nobreza àqueles que desejam ascensão do glamour sem necessariamente prover a si a estimada ascensão do intelecto.
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Desta forma, em plena época de reanálise dos pré-juizos mantidos mesmo no decorrer do século passado (e, portanto, resquício de fossas feudais), reelabora-se castas de nobreza, adequando-as às novas castas academicistas. A vontade em tornar-se homo superior é evidente e, porque não dizer, coletiva, se não embalada pela onda de individualismo propagado pelo sagrado deus do Capital.
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Nietzsche, em dado momento, afirmara que "as convicções são como cárceres". Títulos de nobreza contemporâneos, de tal forma, podem ser tidos como grilhões, enquanto não houver honesta disposição a priori pela correspodência da dita nomeação com o grau de saber detido pelo nomeado.
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- Silier Borges