Resumo: Paralelo teórico entre a filosofia socrática e nietzschiana, tal como pontos de intersecção entre dois teóricos distintos de diferentes épocas que, cada um a sua maneira, buscavam compreender e valorar questões humanas em sua profundidade e grandeza inerentes.
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Onde consiste a decadência socrática?
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Se para Friedrich Nietzsche é pouco ou nada tida como plausível as supostas palavras do filósofo Sócrates postas pelo discípulo Platão, do qual é possível o mundo estável e não-efêmero dos planos ou Idéias um plano superior ao mundo fenomênico e consistindo esse primeiro como realidade factual, incorre-se pelo grego à falácia negadora da verdade crível, tangível realidade aos olhos do filósofo moderno.
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Embora ressalta-se que a teoria das idéias é de autoria do discípulo, e não do mestre retórico porta-bandeira da filosofia prática, voltado não aos interesses humanos, mas ao próprio homem. À Sócrates relega-se muito do qual, para Nietzsche, consta tão-somente como palavras absortas, dispersas devido ao erro da inocência ou da mais obscura malícia. O autor de O Anticristo é o mesmo que vocifera críticas audazes ao símbolo do pensamento grego que, certamente, abriu caminho às palavras cristãs que haveriam de ser ouvidas séculos mais tarde. Dentre os quais, a posição de rija moral que, chamda virtude, de sobremaneira superior para com leis e magistrados do demos ateniense, entrega-se tal como voluntário coordeiro a espera da morte, rápida e silenciosa, sem muito esforçar-se pela defesa do si mesmo. Em a Apologia, vê-se o filósofo sofista não mais em seu esplendor teórico dos Discursos e, sem muito esforçar-se à defesa ou incorrer em meios ilícitos para salvar-se, defende-se de injustos com o escudo da justiça, portando as suaves vestes da boa argumentação. Para Nietzsche, é a vontade de potência o motor da felicidade humana; qualquer moralina engessada em si mesma constitue a negação da propria felicidade; a não-defesa dos justos é a maior demonstração de pequenez e repúdio à vida, para o autor de Ecce Homo.
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Nem tudo ao homem é possível alcançar via os mecanismos da razão, mas é Sócrates o primeiro a banalizar quaisquer conhecimentos que não sejam alcançáveis através do poderio do raciocínio e da polidez de pensamento. Em tal ponto, Nietzsche alinha-se, longicuamente, ao filósofo grego. Embora Platão tenha relegado ao mestre dos discursos a gestação do pensamento ideal, seria um contrasenso ou paradoxo afirmar um Sócrates adepto das Ideias e simultaneamente da filosofia prática, voltada ao pensamento conjecturável, firme, com pés ao chão. Sem adentrar na questão de quão platônico fora Sócrates (visto que a maior parte de seu suposto legado oral fora redigido pelo referido discípulo), o fato é que quaisquer idealizações filosóficas (ora chamado númenos, alma ou coisa-em-si) constituem uma decadência típica do pensamento religioso, que torna o irreal a Verdade, e a realidade tal qual como a conhecemos uma chamada 'mentira', ou fenômeno, como preferem muitos.
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- Silier Borges