quarta-feira, 25 de março de 2009

Resumo: Primeira parte do artigo que aborda a temática das cotas, reafirmação histórica de argumentos favoráveis à institucionalização e legitimação da prática, tal como refutação de opiniões contrárias a referida política afirmativa.
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A polêmica política de Cotas (parte 1)
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Não raro proclama-se nos âmbitos mais díspares - do acadêmico às conversas triviais -, opiniões infundadas ou de superfície acerca da temática da adoção de programa de cotas em universidades públicas e privadas. O fato é que existem pesquisas sobre a polêmica racial e teses de doutorando sobre suas várias vertentes e sub-temas.
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Como no caso em que Antônio Dantas, ex-chefe do colegiado da Faculdade de Medicina UFBa, afirmara o veemente baixo quoeficiente de inteligência baiano, possivelmente devido à miscigenação e outras antiguidades teóricas. Porém, tratando-se da prática das chamadas "ações afirmativas", há evidente logicidade na afirmação da tese comprovadamente histórica, em que se declara a existência de grupos e segmentos socio-raciais não contemplados com a inclusão nos meios favoráveis à ascensão e estabilidade social. Tais que vitimizados pela política de interesses econômicos de um emergente capitalismo moderno, que com oferta de libertação do sistema escravocrata criara novos públicos consumidores, mas que não ofertaram acesso à educação crítica, profissionalização acadêmica e condições adequadas de sobrevivência em um mercado tanto competitivo quanto excludente.
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Sabe-se, igualmente, acerca da atual ineficiência do sistema de ensino público fundamental em formar estudantes críticos, leitor dos fenômenos políticos nacionais e engajados às transformações do mundo contemporâneo. Ademais, vale notar que significativa demanda de vestibulandos às universidades oferecedoras de vagas cotistas são oriundos do referido sistema público, reveladamente deficitário. Como, portanto, favorecer a curto prazo e efetivamente grupos afrodescendentes historicamente marginalizados, relegados ao precário sistema educacional médio e fundamental?
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Muito argumenta-se contrariamente às politicas que objetivam igualar segmentos da sociedade que sofreram alguma modalidade de pré-juizo social. Argumenta-se, igualmente, que a prática de cotas é prejudicial, pois reinstaura a institucionalização da discriminação, judicialmente amparada pelo poder estatal. Deve-se compreender, pois, que a prática da chamada 'discriminação positiva' visa esclarecer e distinguir os ditos grupos desfavorecidos de classes abastardas, objetivando reparação social.
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- Silier Borges

sábado, 14 de março de 2009

Resumo: ensaio sobre as falácias declaradas às massas sobre os leitores, a dita má leitura, consequências e causas.
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Sobre críticos e leviandades literárias
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Embora recente declaração de dado colaborador de reconhecida rede de notícias tenha afirmado, veemente, acerca da má orientação brasileira à leitura estrangeira e nacional, vale-se notar a ineficácia de quaisquer argumentações que visem sustentar o referido silogismo.
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Segundo o PNAD, em 2007 no Brasil o analfabetismo funcional atingiu a marca de 21,6%, considerando-se 10% da população inteiramente inapta à leitura e dissertação. Ademais, alegar que os brasileiros lêem, em média, menos de um livro ao ano é incorrer em grave erro estatístico e geográfico: bem se compreende acerca do predomínio de leitores nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os Estados de menor crescimento sócio-econômico apresentam outro índice menos nobre, mas igualmente relevante, como o do supracitado analfabetismo.
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É verdadeiro afirmar que muitos são os que citam as frondosas castanheiras de Orwell em 1984, os Sonetos de Vinicius sob êxtase do amor eterno, ou quaisquer aforismos fugazmente extraídos das obras de Drummond ou Clarice. Entretanto, pouco se nota que são tais os autores reconhecidamente típicos do arcabouço literário mundial, exigidos à maioria dos vestibulandos em território nacional. O fato é que embora se leia pouco ou forçosamente, ao menos se lê.
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Os críticos dos hábitos de leitura brasileiros são os mesmos a emitirem amplamente pré-juízos acerca de autores já consagrados, do polêmico autor Paulo Coelho à admirável literatura amadiana. Sem a prudência criteriosa, os chamados críticos ausentam-se da realidade quando atribuem confusamente ao conseqüente, a causa. Evidentemente, é limitadora a aceitação da afirmativa de que se lê pouco devido à influência midiática ou devido a indústria cultural voltada às massas. Deve-se, pois, após ponderar acuidosamente, considerar acerca da ineficácia estrutural do Estado em amparar e fornecer leitores funcionais, tal como seu desalinho perante a DUDH, antes mesmo de atribuir fictícias causalidades ao dado fenômeno.
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- Silier Borges