sábado, 11 de abril de 2009

Resumo: Análise e crítica do pensamento reprodutor, que afirma falaciosamente a humildade como epicentro do discurso socrático.
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O paradoxo do soberbo Sócrates
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Manuais do pensar, pressupostas teses ortodoxas do pensamento socrático, tal como muitas das pseudo-análises textuais dos escritos platônicos, tão-somente revelam-se repetições vãs de aforismas que, não raro, nunca o foram proclamadas pelo referido filósofo.
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Venhamos e convenhamos, não há humildade em muitas das afirmações socráticas, o que de fato constitui um paradoxo tratando-se do personagem Sócrates. Qualquer leitor atento dos seus diálogos, se aperceberá da ausência de humildade nas alegações socráticas, destacavelmente nos textos de Fedro e Hípias menor, onde a persona Sócrates brinca em sua dialética com o interlocutor, revelando-se superior na avaliação crítica dos temas perante a quem dialoga e conduzindo-os perante sua própria forma de pensar. Quebra paradigmas quem afirma que a ironia é relevante demonstração da ausência de humildade no discurso do grego.
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De maneira demasiadamente simplista, pode-se afirmar que tal pressuposto alinha-se com a tendência filosófica moderna que descarta maiêutica enquanto método socrático (visto que o filósofo não faz nascer idéias do interlocutor), mas tão-somente conduzi-los ao conhecimento perante logicidade deste primeiro, através do método Elenkhos. Retornando ao tópico frasal, a contraditoriedade maior de seu pensamento segue a lógica de um Sócrates que se vangloria soberbamente pela sua vasta sabedoria (a exemplo do tão citado enunciado da Apologia, assim como do pouco conhecido Eutífron, dentre outros textos), embora constantemente alegue ignorância dos temas a que discute, ressaltando com significativa ironia a falaciosa sabedoria do seu ocasional interlocutor.
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Mas qual a importância de alegar o Elenkhos como método socrático, na contemporaneidade? É simplesmente este o justo reconhecimento de que Sócrates não "paria ou fazia nascer idéias", como Chauí e outros desavisados pregaram até então, mas reconhecer que Sócrates sempre fora portador do vasto conhecimento à temática da propôs-se dialogar. De tal forma, constitui-se gravissimo erro alegar que o dito "homem mais sábio de Athenas", como afirmara Oráculo, um mero humilde ou quiçá sofista ignorante.
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- Silier Borges

domingo, 5 de abril de 2009

Resumo: Pensamentos dispostos em texto sobre a arte e a técnica da retórica, dialética, oratória e sobre o que a obra Fedro, de Platão, ainda tem a nos dizer sobre o tema.
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A arte do bem dizer
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Enquanto visualizamos em terras tupiniquins políticos versados no âmbito do discurso, proclamando meias-verdades sob suposta égide da mais absoluta convicção, questionamo-nos acerca do que refere-se ao orador e suas várias possíveis disposições.
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Para tal, vale-se ressaltar obras de Platão, enquanto documentos capazes de fornecer-nos teorias gerais que condizem com a veracidade sobre o referido. Para o filósofo e pensador, sob a persona Sócrates, é a retórica a arte ou técnica de conduzir as almas por meio da persuasão, e nada mais verídico do que afirmar o mesmo. Para tal, questiona-se acerca do que até então se publicou sobre a técnica, visto para o pensador, toda escrita encontra-se disposta em grau inferior ao que é proferido. Para tanto, valoriza a oralidade e prima pela arte do bem discursar, no instante em que se apercebe acerca da impossibilidade de um texto defender-se, dependendo exclusivamente de acréscimos no ato de defender-se via o autor que o produziu.
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A oralidade não torna o escrever ato vergonhoso ou de desonra, apenas prova-o superior: Um discurso declamado, além de dotado de defesa perante possíveis refutações (argumento exposto no parágrafo anterior), pode possuir efeito maximizado pelo artista da palavra que, compreensivo do fenômeno de que certas almas se adéquam a certos tipos de discursos, pode efetuar a modalidade de discurso a fim de atingir acertadamente determinado tipo de alma. A exemplo, discursos enfaticamente metafóricos, floreados ou concisos atingirão com efetividade tipologias humanas que se adéqüem a tais possibilidades. A tal proposta de forma, quando aliada ao conteúdo proposto (do que é Verdadeiro, pois belo), alinha-se harmoniosamente com a arte do orador, comprometido dialético e diferenciado da mera técnica da retórica. Desta perspectiva, é a arte de orar típica do plano ideal, enquanto sua manifestação escrita, que genuinamente despreza as possibilidades da memória humana ao armazenar conhecimento em vias exteriores ao mesmo, tão-somente reflexo e imagem de algo que lhe prova superior.
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Argumentos tais são expostos em evidência, de maneira incomensuravelmente mais completa e vasta na obra Fedro, onde o personagem homônimo dialoga sobre as referidas questões com o Sócrates, sagaz crítico dos escritores de discurso. Curioso notar que é a própria vítima a quem critica, lhe torna benfazeja: proporcionou ao filósofo que nada escrevia os anais da história documentada.
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- Silier Bor
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