sábado, 30 de maio de 2009

Resumo: Análise generalista do posicionamento cartesiano e darwinista, tal como prós e contras de algumas relevantes observações do filósofo, cientista e ensaísta Descartes.
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Razão, evolução e método
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Embora sejam muitos os que apontaram o erro de Descartes, poucos se atentaram para a gravidade de suas implicações. É este o cientista que, paradoxalmente, adotou-se da razão para aprovar aquilo que já o tinha enquanto dogma.
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Porta voz da proposta racionalista na modernidade, fora Descartes que ensinou-nos acerca da necessidade premente da reavaliação educacional, assumidamente escolástica. Propondo o rompimento com a aceitação pouco volátil e pouco criteriosa que caracteriza o senso comum, propôs método acuidoso para solucionar o alcance à estimada verdade, supostamente passível de adequada análise experimental humana e das coisas tangíveis.
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Para tal, o filósofo instruiu-nos sobre a prudência do ceticismo que, ao questionar obviedades até então tidas como unânimes, chegara à questão metafísica de maior teor: se todo o menor ou menos perfeito é originado de uma causa maior ou dotada de maior proximidade da perfeição, é o homem originário de uma causa que lhe é superior, portanto, evidencia a causalidade divina. Pois que nada pode originar alguma coisa, visto que do nada, nada provem. De tal forma, sendo este ser dotado de todos os atributos positivos, pois que de constituição perfeita, é também dotado do atributo da existência. Pois que, tal qual Descartes, a prova racional da existência de Deus.
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Embora até então encarada por teólogos como evidência racional e irrefutável da tese criacionista, hoje nos evidencia uma falácia sob forma de silogismo, aparência de realidade tão-somente enquanto jogo lingüístico. Certamente não conhecera o Darwin, visto que séculos separa sua existência do seu antônimo teórico. Charles D., ao subverter tal pensamento muito posteriormente, evidenciando seu absoluto rompimento com a perspectiva cristã, ensina-nos que de um imperfeito Homo Erectus, pode advir um evoluído Sapiens, coerentemente questionando a supremacia hominídea da razão sobre as demais espécies.
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É mais do que evidente, como nos confessou o próprio autor de Discurso do método, a perpétua preocupação e compromisso do cientista em propor soluções às ciências naturais que não conflituosas com a doutrina e política cristãs. Ademais, não foram poucos os artigos por Descartes não publicados, após condenação de Galileu e suas teses, inclusas no vastíssimo Índex.
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- Silier Borges

sábado, 2 de maio de 2009

Resumo: o presente artigo trás ao âmbito do debate temas referentes às inquietações do processo de publicação ao eminente escritor, e suas várias vertentes possíveis.
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Novas palavras aos velhos leitores
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Se para o Rilke, num diálogo a um escritor em potencial, o requisito para tornar-se poeta é perguntar-se sobre a necessidade premente da escrita (“se tu ausentasses da escrita, conseguiria ainda viver?”), muitos dos redatores da contemporaneidade haveriam de abandonar tal posto. Quando indagada com a mesma ênfase a supracitada questão, respondera veemente Clarice, em sua última entrevista datada de 1977: “Pois que quando escrevo, já estou morta”. Embora sob tal funesta declaração, de teor claramente subversivo, certamente encontra-se Lispector entre os destacáveis escritores da modernidade.
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O fato, pois, abarca uma temática dotada de várias vertentes, todas passíveis do debate acuidoso e da análise criteriosa. Em uma das várias sessões do Café literário, promovidas pela 9ª Bienal do Livro na Bahia (2009), levantou-se a problemática das evidentes dificuldades que encontra o eminente escritor na publicação de obras inéditas autorais. O dado que nos evidencia a potencialidade de leitores, dos quais em dez dias de atividades abarcou 272 mil pessoas ao referido evento, igualmente evidencia acerca do crescimento espontâneo de novos escritores baianos, a levantar inquietações, frutos da ânsia de publicar-se, faceta da simbologia maior que anseia o tornar-se lido, comentado e conhecido (assim como todas as demais considerações posteriores que supostamente remete-nos ao ato e glória de publicar).
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Dentre questões passiveis de debate, trouxe-nos a reflexão acerca de políticas publicas que visam conferir notoriedade aos escritores recentes e ascendê-los através de divulgação e publicações, não raro em convênio com entidades privadas. Outros, optam pela auto publicação, que confere ao escritor a autonomia - e o desespero - de vender suas próprias obras editadas.
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Muito se questiona acerca do crescente número de escritores contemporâneos, frente à inexpressiva massa de leitores nacionais. Com a análise criteriosa se verifica que a causalidade encontra-se no verdadeiro déficit de leitores regulares, devido a ausência de políticas publicas que, ao primar pela publicação dos novos autores, esquece-se da notoriedade que são os investimentos no âmbito da educação pública estadual. Pois como exigir leitores à massa populacional a quem carece criteriosa formação?
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- Silier Borges