terça-feira, 23 de junho de 2009

Resumo: Esboço livre da obra de Erasmo, amparado por uma observação moderna de um livro tipicamente atemporal.
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A Loucura de Erasmo
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O avanço técnico-científico provido pelo desempenho otimizado dos homens de ciência é representativo, moderno e contemporâneo da perspectiva que, ao almejar limitar o objeto-de-estudo, ausenta-se da compreensão holística de seus significantes.

O homem cartesiano reduzira o foco de sua análise para melhor compreendê-lo, mas esquecera-se que é a provedora Filosofia, diminuida em relevância pelo afã do cientificismo, que empreende-se em realizar a recomposição total do conhecimento fragmentário. Descartes idealmente salientou a necessidade de tal recomposição e, de maneira ligeira e leviana, não explanou-nos como efetivá-la.

Destes e doutras questões, de maior ou menor relevância, é que igualmente são discutidas à luz da ironia e do sarcasmo sagaz por um nomeado Erasmo de Roterdã, em seu célebre Elogio da Loucura. Para tal esboço, apresenta-nos a Loucura louvando a si mesma, visto que lhe carece de respeitáveis históricos oradores que assim o faça. À maneira lúdica, porém crítica traz-nos o quão desprovido de razão são homens ditos racionais, nos áureos tempos renascentistas. Loucos são os amantes dos jogos e das cartas, os amantes do credo que nada elucida senão pela via monetária, aos estóicos amantes da razão e, porque não dizer, aos amantes do amor em si, se supormos a existência das essências.

Felizes são os loucos, esquecidos das mazelas várias que lhes permeiam, afagados pelo amparo da ilusão apreciadora. Por meio de Erasmo, apercebe-se que muitas são as coisas perenes desde o findar do século XVI. Como o amante do saber, que almeja distinguir-se do populacho por meio de uma inadequada linguagem preciosista, restringindo egoisticamente os seletos sujeitos capazes de compreendê-lo por meio de uma vastidão de arcabouço teórico e infindável amplidão linguistica. Aquele que passa a existência destinado a filosoficamente compreender o que é a vida, da qual certamente não mais habita livros e autores há muito inertes em seus mausoléus.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Resumo: Análise estilística e poética da crua realidade das metrópoles, em suas ruas de concreto e de nostálgicos habitantes.
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Queremos ambos!
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In memorian, ouvir "Casa no Campo" do versado Zé Rodrix, cantarolado pelas mais diversas vozes nacionais, remete-nos à paixão interiorana que, na atualidade, ressurge como força precípua e onipotente, dominadora esta dos anseios maiores das grandes metrópoles.
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Digo acerca da sempre presente violência que manda sob toque de recolher os bons, à noite taciturna, retirando-os do justo sono, renegando-lhes à mediocridade de uma vida suburbana. Tancrafiados à sete chaves, marginalizados são seus corpos e corações. Não há mais emoção naquele que presencia e sucumbe ante o absurdo do cotidiano. Pois digo: estão presos esses homens suburbanos, em suas moradias gradeadas.
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Como liberta-se sob égide da chamada democracia o impune, contraditoriamente aprisionando o são em seu lugar originário? A flâmula a que prega os horários eleitorais não mais correspondem às mensagens factuais e cotidianas. O quartel dos aflitos, relegados ao brasileiríssimo esquecimento absoluto, é como pranto surdo e inaudível, silencioso, sem eco e sem mais nada.
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Queremos poesias regionalistas que compreendam o mundo em sua totalidade. Estimamos poesias bucólicas, porém engajadas político-socialmente. Queremos ambos.
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Resta-nos, indignados prosadores, sabiamente versar o quanto queremos "uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz, e tenha somente a certeza, dos limites do corpo, e nada mais..."
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(Postado originalmente na página folhaexistencialista.com.br).